«Em que ortografia vão os nossos grandes autores ser servidos nas escolas? Serão implacavelmente desfigurados pela aplicação dessa coisa sem nome? Ou virá o Governo a tomar providências rápidas para, pelo menos em parte, remediar a situação? A crítica definitiva do Acordo Ortográfico, nos planos científico, jurídico, político e sociocultural, está feita há muito, pelo que nem sequer vale a pena retomá-la. Mas torna-se necessária uma solução que, de resto, e como Pacheco Pereira também salienta, sairá tanto mais cara ao País quanto mais tarde ela for tomada. Os custos directos e indirectos serão muito altos, mas arriscam-se a tornar-se astronómicos se se continuar a perder tempo. Trata-se de uma questão também política que, pela sua dimensão internacional, requer um particular tacto no seu tratamento e cuja solução, segundo creio, poderia ser encontrada em três planos. Em primeiro lugar, o Governo poderia negociar com os editores de livro escolar, que não são assim tantos, o abandono do esquema actual de aplicação do Acordo nas edições escolares, tendo em conta o tempo de validade dos livros e manuais existentes e o seu ritmo de substituição. Entretanto, o Governo suspenderia a aplicação do Acordo Ortográfico decretada por uma Resolução do Conselho de Ministros de ultrajante memória, determinando que, na medida do possível, se voltasse já ao sistema anterior (afinal o ainda vigente, quer se queira quer não...). Em terceiro lugar, no plano internacional, seriam desencadeadas as medidas necessárias a uma revisão imediata do Acordo Ortográfico pelos oito países de língua portuguesa (incluindo portanto Timor). Estas três dimensões do problema não terão nunca uma solução satisfatória, atendendo aos malefícios já provocados e aos que se desenham no horizonte. Mas na situação em que nos encontramos, não se pode esperar que haja muitas outras saídas possíveis e esta seria certamente uma delas. Para além dos objectivos visados no curto, no médio e no longo prazo, no plano escolar deixaríamos de ter, desde já, os nossos grandes autores barbaramente estropiados por uma grafia abstrusa. E isso, agora que o ensino do português vai mudar no ensino secundário, é de uma importância primordial.»
6 comentários:
melhor mesmo era escrever farmácia com "ph". com esta purificação íamos todos finalmente poder atingir o nirvana arrebatador da consagração celestial. não tenho dúvidas, tudo terminou. nada se salvará com o acordo ortográfico. estamos à beira de períodos difíceis, à beira do fim da civilização.
Mais uma brilhante intervenção de VGM, em defesa da Língua Portuguesa. Se, contra ventos (imbecilidades pomposas e culpadas pelo estado de indigência cultural dos nossos jovens) e marés(políticas de má memória que nos trouxeram , além da outra, a bancarrota cultural), o novo programa de Português for posto em prática sem recuos ou cedências, é forçoso que os textos canónicos retirados do limbo socretino se revelem em toda a sua beleza. Tal é absolutamente incompatível com o "acordês" e, como bem é notado no texto, quanto mais a aberração perdurar, mais estragos faz(e não só económicos). Agora vamos a ver se os eruditos senhores que nos governam conseguem entender isto , ou se é preciso meter explicador.
Alguém imagina possível revogar o AO? Mais depressa víamos o irrevogável demitir-se.
Tem de ser possível revogar a aberração. Até os pais dos meus alunos já se aperceberam das facetas anti-patriótica, etimologicamente aberrante, subserviente para com ex-colónias, ou simplesmente ridícula do "acordês". Ainda ontem , reunida com eles, recolhi o seu legítimo protesto. Algumas pessoas só agora vão acordando para o mal que é feito à língua mãe e a todos os seus filhos. Só faltou obrigarem.nos a escrever e dizer "presidenta", como a D.Dilma ou a D.Pilar. Além do mais, muita gente teria de andar com um dicionário fonológico debaixo do braço para cumprir, porque ninguém sabe exactamente quando e onde as consoantes são mudas. Por exemplo: quantos pronunciam "espeCtador" e quantos "espe(c)tador)?
Seria bom que o poder ganhasse juízo neste aspecto. Acrescento que existem casos que julguei desesperados e que vejo realizar-se, tais como o regresso da Literatura aos programas escolares como conteúdo essencial. A D. Edviges deve estar a arrancar os cabelos. Já vai tarde!
concordo xef. pra ke (antigamente levou acento circunflexo mas agora na) usar maisculas. ganda seca tar a caregar notra tecla. qq bronco q tenha 1 smartfone o 1 tablete sab a cansera q da. dah
este argumento da canseira (e da preguiça) ainda não foi utilizado por VGM. numa próxima petição virá?
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