27.8.12

Regular e fiscalizar

«O que espanta mesmo é a natureza das críticas. Primeiro, pela hipocrisia. Os mesmos que choram lágrimas de crocodilo pelos cortes dos subsídios de férias e Natal já não se incomodam pelo facto de a RTP ter custado aos contribuintes nos últimos dez anos quase 4 mil milhões de euros, praticamente o dobro dos cortes nos 13º e no 14º meses. Depois, pela incongruência. Diz-se agora que a concessão até pode ser um bom negócio, porque a RTP vai passar a dar lucro. Se assim for, tanto melhor. Isso significará que o privado terá de pagar ao Estado uma renda ainda maior. É que a RTP não vai ser dada. Vai ser concessionada. Em terceiro lugar pela fantasia do discurso. Critica-se a concessão da RTP por ser um atentado ao serviço público. Mas o que os portugueses vêem é que a programação da RTP, apesar de paga a peso de ouro pelo Estado, é praticamente igual à das televisões privadas. Finalmente pelo preconceito ideológico. Segundo alguns, o que é Estado é puro, o que é privado é impuro. Nada de mais falso. No público e no privado há coisas boas e más, sendo que, em regra, o privado gere melhor que o Estado e este deve sobretudo regular e fiscalizar.»


 


Luís Marques Mendes, CM

4 comentários:

Albino Forjaz disse...

Hoje, por lapso, liguei a RTP1: a emissão era dirigida pelo Carlos Alberto Moniz.
Sim, o Carlos Alberto Moniz do "Força, força, camarada Vasco (Gonçalves)" de 1975...
Não estranhei, por isso, o comunicado da gerência da coisa contra o Governo. Só que este, se os tivesse no sítio, já devia ter mandado a dita gerência para o galheiro.
Chiça, que é demais!

Vitor disse...

Que eu tenha dado conta o Sr. Borges não é membro do governo, pelo que a "gerência da coisa" apenas defendeu publicamente o que considera ser o melhor para a "coisa", contrapondo a uma figura externa à tutela.
Quando a tutela, pela voz do seu ministro, defender um modelo diferente, aí sim, os senhores podem pedir a demissão da "gerência da coisa", caso esta se insurja.

Albino Forjaz disse...

Ó Vítor, V. é parvo ou faz-se?

José disse...

Concordo em absoluto.
De tão xexé que nem se dá conta ... e eu tenho que pagar a este baboso?