7.8.12

Boa noite e boa sorte

Por causa do alegado excesso de raios violeta anunciado nos jornais, reli umas coisas e vi uns telejornais. Nestes apareceu o fantástico empresário Alves, o do ar condiconado e dos painéis solares, e o não menos fantástico Sócrates, em arquivo, de volta de uma escola que ele referia estar a precisar de umas borradelas de tinta. Alves jurou que até Junho do ano que vem tem os ditos painéis prontinhos para exportar a partir de Abrantes e empregos para umas centenas de pessoas, talvez mesmo um milhar ou dois delas. Queixou-se abundantemente da "miséria" a que, segundo ele, o governo está a conduzir o país (esta magnífica conclusão decorre porventura de o governo lhe ter perguntado pelos painéis contratados com o executivo anterior). E, numa gravação apenas sonora, de arquivo também, asseverava que não tinha ali ao lado dele nenhuns "maricas" (sic) a trabalhar. Não percebi. Quanto a Sócrates, serviu para ilustrar com o seu sorriso as aventuras milionárias da "parque escolar", uma coisa que inexplicavelmente Nuno Crato não extingue. Mas nada disto importa. A pátria está suspensa de uma canoa e, quem sabe, de um cavalo.  Boa noite e boa sorte.

5 comentários:

observador disse...

Já que está numa de TV. espero que tenha visto o documentário na SIC-Notícias feito por um francês sobre a crise portuguesa.

Quanto à Parque Escolar, a coisa só podia dar bota porque os quadros eléctricos das escolas só davam para iluminação , e fraca.
Como poderiam aguentar ares condicionados, informáticas várias, quadros inteligentes, etc. ?

Vortex disse...

o 'barão vermelho' da falecida FNAC já tinha dito o mesmo há um ano em entrevista ao jornal 'Ribatejo
a Máfia é mais subtil'

Costa disse...

Bom, lá se ganhou uma medalhita. E, coisa verdadeiramente refrescante, não foi nem no nauseabundo futebol, nem no atletismo dos (sem menosprezo) funcionários camarários que, coitadinhos, treinavam todas as madrugadas e noites, com notório prejuízo pessoal, sob chuva e sob sol e etc., etc., etc.

Nada contra, todo o respeito, mas já cansam essas inevitáveis histórias do desgraçadinho(a) que fatalmente enternecem as nossas escassas vitórias desportivas, quase sempre - em si mesmo retrato do pais - em modalidades menos sofisticadas e onde a teimosia pura conta mais do que a arte ou a técnica.

Uma medalha num desporto náutico, num país que ja foi de marinheiros e agora, de futeboleiros, condena os desportos aquáticos a capricho de ricaços (e, como tal, a genericamente desprezar pela populaça).

Vale o que vale, não nos afasta um átomo da miséria em que nos enterramos a cada dia e por muito tempo. Nem tem o efeito deleteriamente anestesiante da poderosa seita do pontapé na bola. Mas, de alguma forma, talvez por isso mesmo, reconforta...

Costa

José Pedro disse...

Ainda se estivesse suspensa da selecção de futebol...

Costa disse...

Ainda comecei a ver. Mas depois apareceu aquela de Medeiros...

Costa