3.8.12

Ainda não acabámos


 


Estava ontem a ver uma peça televisiva sobre este relatório. Reparei, por exemplo, numa fundação para o carnaval de Ovar e em duas de um casal, uma dirigida pela esposa, a outra liderada pelo marido. Também reparei que uma fundação ligada à Universidade de Lisboa era a mais desgraçada e que Serralves ou a Casa Mateus se portavam relativamente bem de acordo com os critérios da avaliação. A "fundação" é uma coisa que proliferou como praga no regime. Quase sempre ao lado de organismos públicos especificamente instituídos para a prossecução de determinado fim de interesse público, o regime, através dos seus sucessivos "donos", tendia a criar uma "fundação". Do Estado central às autarquias ou meramente da cabeça luminosa de um dos ditos "donos", a "fundação" brotava, em geral com um capital incial reduzido a que, miraculosamente, os contribuintes iam dando de comer. Entre a formalidade e a informalidade, talvez exista perto de um milhar de fundações à conta da esperteza nacional, um "bem" que só nos tem servido, em geral, para fazer figuras tristes. Cresci num mundo em que "a fundação" era a Gulbenkian. Vi nascer a actual sede a aprendi música num edifíco em frente. Aí pelos quarenta, investiguei, por dever de ofício, uma denominada "fundação para a prevenção e segurança". Percebi, por tudo, que esse mundo da Avenida de Berna fora substituído por outra coisa, feia e inominável. A evidência de grande parte dele foi agora dada a conhecer pelo Governo que, no curto prazo, tomará as devidas medidas para responder ao descalabro. É só uma pequena parte dele? É. Mas, perdoe-se-me o majestático, ainda não acabámos.


 


 


Adenda: Noutro plano, o relatório da auditoria do Tribunal de Contas à IN-CM. Pessoalmente, interessou-me estes aspecto relativo à chamada unidade editorial. «O escoamento difícil das obras publicadas associado ao facto de a empresa, como empresa gráfica, não estar equipada para internamente fazer de forma económica tiragens muito reduzidas e onde a optimização do binómio custo dimensão não é a mais favorável, pode ser justificação para o elevado número de livros não vendidos que adensam os stocks destas edições, cujo armazém, à data da auditoria, Dezembro de 2011, totalizava mais de 524 mil livros.» Por amor de Deus, vejam lá o que vão fazer a estes 524 mil livros, muitos deles dados como esgotados nas livrarias.

3 comentários:

fado alexandrino disse...

Mas, perdoe-se-me o majestático, ainda não acabámos.

Na realidade mal começaram.
Uma adenda, durante muitos e por ver sempre a mesma personagem eu até pensava que aquela coisa da prevençao era um organismo do Estado.

Isabel Metello disse...

Ah, sim, aquela Fundação em homenagem ao Senhor Cônsul Aristides de Sousa Mendes nem sequer soube reconstruir O Seu Solar e muito menos ajudar uma das suas Falecidas Filhas nos últimos momentos da Sua Vida! Fui testemunha, Era Amiga da minha Falecida Tia, e a pedido desta recorri a duas pessoas muito próximas da Causa e a resposta foi: "o que é que eu tenho a ver com isso?". Mas para os passseios à Av. dos Justos em Israel já iam todos contentitos em comitivas! Quanto à outra, quando lá entrei, o luxo é tal que chega a ser aviltante!
O Governo que ataque as Fundações a sério- olhem, a do Marquês de Pombal tb não estaria mal! São um dos sorvedouros do Erário Público!
E acabem-se com salários e mordomias vitalícios a PRs- já estão bem cheios! Usemos as suas próprias palavras e obrigue-se-o a pô-las em prática, nem que seja só no final da sua Vida- a propósito, já o obrigaram a pagar os 300 €?

Isabel Metello disse...

E mais- essa persona como outras iguais a ela deveriam ser obrigadas a indemnizar os retornados por tudo o que perderam com o esforço de Vidas perdidas, com muito trabalho e Amor àquelas populações e terras e não com fundações! Creio que o acumulado dá para isso e muito mais- comprem as fábricas e dêem emprego aos Portugueses que andaram a alimentar oligaquias que os conduziram à miséria!