19.8.12

A vaca fria

De regresso à vaca fria, verifico que, fora a ameaça de um furacão nos Açores, o país continua a "viver habitualmente". A bola voltou, as chamadas intimações de mortalidade continuam sob a forma primitiva da violência doméstica e não doméstica, o dr. Louçã não tenciona deixar de ser deputado, Alberto João ameaça "separar-se" (e viver de quê?), a Europa - que é "o" assunto - persiste entre nós como um não assunto trivial, não há certezas sobre se os aparelhos de ar condicionado made in Alexandre Alves foram devidamente inspeccionados por causa dos microfones da Stasi, etc.,etc. Nenhum, pois, entusiasmo e cada vez menos dinheiro embora tal não se note no desenrolar do tema "férias", com mais ou menos sandochas, com mais ou menos dias delas. Daí a minha equanimidade precária em relação ao padre Tolentino de Mendonça (não o poeta, evidentemente, que não me interessa nada). Diz ele a um jornal que se devia recolher mais inspiração nos Evangelhos e critica a iliteracia do catolicismo português. Quando um bispo vai exibir as suas frioleiras a um programa televisivo engraçadista, do que é que Tolentino estava à espera?

1 comentário:

justino alves disse...


Penso que a tranquilidade que o Padre Tolentino Mendonça, poeta que também não me enche as medidas, aqui demonstra é uma lição para muitos dos seus pares. Em primeiro lugar, afastando-se dos januários de serviço, parece consciente sobre o lugar que a Igreja deve ocupar e os lugares que não deve ocupar (não cabe à Igreja estar com nenhum partido nem nenhum regime). Depois, uma constatação calma daquilo que para todos devia ser óbvio: o cristianismo já não é uma presença no pensamento da nossa classe política há muito tempo.