
«[Eduardo] Prado Coelho foi submerso pela enxurrada de burgessos "informados" que pululam nas sílabas mal amanhadas dos jornais, das televisões e dos blogues. Gente impensável de cujos lábios só brota babugem merdosa, muitos incapazes de construir frases com sujeito, verbo e complementos. Em suma, essa enxurrada varreu tudo e de tudo tomou conta instalando-se como o mandarinato oficial e único. Invariavelmente paupérrimo, alimenta-se de coirões improváveis numa autofagia confrangedoramente risível. O Eduardo, pois. «Sou cada vez mais sensível, mais frágil e desarmado até, em relação aos momentos de humanidade, mas sinto uma crescente repulsa por aquilo que todos somos na vulgaridade do quotidiano: seres mesquinhos, rafeiros, sórdidos, poluentes, corrosivos, invejosos, torpes. É por isso que as relações de força se me impõem para lá da rejeição veemente da própria ideia de força (que eu gostaria de substituir pela de generosidade). O que se vai articulando, como triste filosofia de vida, em torno de três axiomas: quanto mais mal dizem, mais medo têm; quanto mais dizem mal pelas costas, mais elogiam pela frente; quanto mais elogiam, mais medo têm.»
Contra a Literatice e Afins, Guerra & Paz, 2011
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