21.8.12

Coisas perdidas


 


Apeteceu-me reler Gore Vidal. Não a ficção - que nunca me interessou especialmente, salvo Julian ou Creation, já que The City and The Pillar "conhecia" do conspícuo "registo Oscar Wilde" da vida a imitar a arte - mas as memórias, primeiro, e, a seguir (espero que a seguir), os ensaios. Vidal está esplendorosamente vivo nesses textos, naqueles lugares, naquela gente, e, sobretudo, aquilo tudo torna-me "mais vivo" em tempos desprovidos de amenidades ou "grace". Point to Point Navigation tinha uns cinco, seis anos de primeira leitura por cima. Mesmo assim, há sempre "novidades" como uma referência que envolve Nancy Reagan, a parte feminina do famoso casal presidencial que o autor poupou pouco noutras ocasiões. Encontraram-se num evento qualquer em Los Angeles, Vidal sem Howard Austen e Nancy sem Reagan. Ambos mortos, evidentemente. «"Não detesta quando lhe dizem que o tempo cura tudo?", disse ela. Concordei porque, "afinal, o tempo é a maior e a mais constante lembrança de coisas perdidas e que desapareceram para sempre.»

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