Em pouco menos de 24 horas, ao ver televisões e ao ler jornais, percebo que há uma "constante" para além da contingência: a tirania comunicacional da mesmice e a prevalência da amiba regimental sobre tudo e todos. A amiba, segundo fonte próxima da internet, «também denominada vulgarmente por ameba, é um protozoário do filorizópodes, cujos elementos têm a possibilidade de emitir projecções corporais denominadas pseudópodes. Os pseudópodes são utilizados para a deslocação e alimentação dos organismos. A formação de pseudópodes provoca uma constante alteração da morfologia do corpo do organismo. Muitas espécies encontram-se no solo, nos lodos e na água, onde se alimentam de outros protozoários mais pequenos e outros organismos unicelulares.» Sim, isto é a propósito da RTP - já agora reitero a minha posição pessoal sobre o tema reforçada precisamente nestas 24 horas - cuja privatização total sempre aqui defendi por entender que o Estado não tem de deter meios de comunicação social, muito menos coisas como aquilo em que a RTP se transformou nas derradeiras décadas. Aliás, isto coincide com o que o actual 1º ministro defendeu em Abril de 2010 após ascender a presidente do PSD. A "memória" da RTP, vulgo arquivo, pelo qual o Estado recentemente pagou 150 milhões de euros, ficaria bem a cargo ou da Biblioteca Nacional, ou, porventura mais adequadamente, do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento. O resto, em sintonia com a Constituição (nº 6 do art. 38.º), é uma "estrutura" cujo "funcionamento" deve ser independente "do governo, administração e demais poderes públicos" (sic), ou seja, uma "estrutura" gerida por privados que - à semelhança da RTP desde 1956 - tem a concessão do serviço público de conteúdos também imposto constitucionalmente. Ora em nenhum dos cenários de modelo de privatização em cima da mesa do Governo é alienada a propriedade da "estrutura" que persistirá pública para sossego dos mais "sensíveis". Mesmo assim, a amiba desenvolve-se na maior demagogia "transversal", corporativa e mistificadora. Bom proveito.
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