5.8.12

Fatherless child


 


É difícil, num universo marcado por "ladies gagas", "mikas", "alborans", uma com nome de colher (spoon), etc.,etc. e, mesmo, mortos-vivos como Jackson ou Amy W., falar de Marilyn Monroe. Não apenas porque ela desapareceu há cinquenta anos - pelas contas de hoje, já passou mais de uma boa meia dúzia de gerações sobre o seu cadáver uma vez que quaisquer cinco ou seis anos perpetram uma "geração" -, mas porque é impossível explicar, em 2012, a América (e, em certo sentido, o mundo) do tempo em que ela cresceu, viveu e desgraçadamente morreu. Ao olhar para os vários documentários disponíveis, para aquelas imagens, para aquela gente, fica a sensação  (fico com a sensação) que nos privaram para sempre de alguma coisa. Arthur Miller escreveu-lhe o argumento de Os Inadaptados, de John Houston, um filme seco, passado entre três homens, uma mulher e cavalos no meio de um deserto, de 1961. O casamento de ambos estava no fim. Gable morreria pouco depois das filmagens. Montgomery Clift, prematuramente desfigurado por um acidente de autómovel, não duraria muito mais. E Marilyn acabou a 5 de Agosto de 1962, mais "inadaptada" do que nunca. Miller quando soube afirmou que, com ou sem a parte artística, Marilyn estava destinada ao suicídio. George Sanders - que contracenou com ela em All about  Eve e que emborcou uns quantos frascos de Nembutal com um bom scotch, num quarto de um hotel em Barcelona -, despediu-se disto com uma nota em que dizia estar "aborrecido" ("Dear world, I'm leaving you because I'm bored"). Marilyn, menos dada a epifanias cínicas, deixou-se morrer numa imensa amargura que não permitia aborrecimentos como os de Sanders - porque cresceu com essa amargura mais do que alguma vez chegou a ser "uma pessoa crescida". Muitos dotados para a escrita, coevos dela ou não, escreveram-lhe belos epitáfios. Capote designou-a como uma "bela criança" e perguntou por que é que a vida tinha de ser esta porcaria. A terminar a sua biografia de Marilyn, Norman Mailer exprimiu alguns desejos que são uma extraordinária homenagem. «Let her be rather in one place and not scattered in pieces across the firmament; let us hope her mighty soul and the mouse of her little one are both recovering their proportions in some fair and gracious home, and she will soon return to us from retirement. It is the devil of her humor and the curse of our land that she will come back speaking Chinese. Goodbye Norma Jean. Au revoir Marilyn. When you happen on Bobby and Jack, give the wink. And if there's a wish, pay your visit to Mr. Dickens. For he, like many another literary man, is bound to adore you , fatherless child.»

2 comentários:

Isabel Metello disse...

Marilyn não se suicidou- mataram-na, pois sabia demais e depois de ter cantado os parabéns a J.F. Kennedy! Foi a sua sentença de morte, decidida nos bastidores, como sempre!

http://youtu.be/vKuL3FTmKNI

A disse...

você é um marginal João Gonçalves