31.8.12

Para se protegerem a si próprios

«A ideia do condicionamento industrial de Salazar ressurgiu em pleno pela mão das “forças progressistas” que defendem a RTP tal como está: não se pode privatizar, porque a privatização põe em causa a subsistência das estações privadas existentes. Argumento tremendo. Os progressistas querem vedar novo investimento, em defesa de interesses já instalados e arrogam-se o poder, como se o dinheiro fosse deles, de dizer onde se deve ou não investir. Se a privatização põe em causa as estações privadas, é porque os contribuintes indirectamente as estão a financiar, através das enormes dotações à RTP. O que significaria o público ao serviço do privado. Progressismo que se compreende: têm uma estação pública ao seu dispor e não têm que a pagar.  Aliás, a argumentação é a mesma de há vinte e dois anos, quando os mesmos progressistas afirmavam não haver viabilidade, nem económica, nem financeira, para as estações privadas. Embora o condenem, são essas forças as maiores defensoras de um novo condicionamento industrial. Pior do que o de Salazar. Porque é para se protegerem a si próprias. Por isso, nem querem ouvir falar que sejam os privados decidir do seu próprio investimento.»




Adenda: Que a endogamia justifica muitos dos absurdos mantidos na sociedade portuguesa porque sim, já se sabia. No vale tudo na "luta contra o que ainda não se sabe", como Eduardo Cintra Torres já caracterizou o patético "processo rtpvolucionário em curso", até o esposo de uma das maiores prestadoras de serviços da televisão pública (em termos financeiros) perpetrou artigo de jornal sem "disclaimer" ou declaração de interesses. Os "donos" do regime são assim, uma especie de "corrente da sorte" do "meio" a juntar as maiores improbabilidades no desconchavo.

2 comentários:

Carlos Rodrigues disse...

A questão da RTP tem duas linhas de pensamento: uma, que vai do Terreiro do Paço às Avenida Novas é a que aparece histericamente plasmada nas notícias dos jornais; outra, que está situada no resto de Portugal, e que normalmente se manifesta nas caixas de comentários dessas mesmas no´tícias, deseja parar o quanto antes de pagar aqueles salários que muito bem sabemos. Se o Governo quiser ganhar uns milhares de votos, despache a RTP, guarde o Arquivo e compre serviço público as estações privadas por uns 10 milhoes ano e chega. Os Malatos, as Catarinas, e os Mendes deste país safam-se em qualquer TV privada pelo mesmo cachet e serão menos um encargo para um familiar meu, que opta por não ter/ver televisão, (talvez por isso seja quase centenário), a quem o estado tirou + ou - 100€ de reforma por causa da crise, mas que continua a pagar 50€ ano àquelas "estrelas" .

a. pinho cardão disse...

Agradecido pela transcrição