2.8.12

Motivações

Estava a folhear o Público e dou, lá para o fim, com um artigo - o primeiro de dois - de Manuel Loff, "historiador" e que "escreve quinzenalmente à quinta-feira". A coisa é sobre esta "História de Portugal" ou, mais adequadamente, sobre Rui Ramos uma vez que Loff não pretende comentar o trabalho dos outros dois autores, a saber, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro. A fixação em Rui Ramos, depois de lido o artigo, explica-se pelo "impulso" indicado por Loff para criticar Ramos: a motivação ideológica. De acordo com Loff, Ramos é um perigoso "revisionista" que, não contente com isso, ainda teima em ser "original". Dá o exemplo de Salazar. Em vez de o apodar de "fascista" puro, reaccionário ou ditador (não inteligente, claro), Loff encontra em vários trechos de Ramos basta matéria para o tal "revisionismo historiográfico política e ideologicamente motivado" (sic) que importuna a correcta investigação tal como Loff a compreende. Ou seja, na sua "motivação ideológica" claramente alinhada e companheira de uma estrada demasiado antiga. Alguém se atreve a ter a menor dúvida que Salazar não pode ser referenciado pela história sob outra forma a não ser por aquela que manda o lugar-comum e a superficialidade analítica que cedo Eduardo Lourenço ironizou através do seu polémico "o fascismo nunca existiu"? Esta é a simples "maneira de pensar" de Loff. Ora Ramos define justamente a História como uma maneira de pensar, de tentar perceber. Acredito, pelo que leio dele, que Ramos pensa e tenta perceber, e que a sua "maneira", para citar Loff, "está bem à vista". A de Loff também. Há mais de cem anos.


 


Adenda: Ao lado deste Loff, Miguel Esteves Cardoso resume Gore Vidal (e, de alguma maneira, resume por contraposição os "Loffs" todos deste mundo e os ainda por vir): «Não foi só uma pessoa que morreu: acabou uma civilização. De uma só pessoa.»

10 comentários:

Carlos Vidal disse...

V. não gosta mesmo da Academia. Vá lá saber-se porquê.

Rui Ramos é um provocador que semanalmente dejecta coisas no "Expresso". Não sei nem me interessa saber quem ele quer provocar. Deve ser uma coisa carente e a precisar de atenção como a que Loff lhe deu (e se calhar fez mal). Na carreira académica, Ramos não passou de Assistente Estagiário. Agora, é "Investigador", como se indo além de Assistente Estagiário (o grau mais baixo da carreira docente e que dantes se chamava "2º Assistente", quase uma mulher a dias ou sopeira dos corredores da escola), como se tivesse sido mais do que isso não pudesse ser também "Investigador". Mas isso o Assistente Estagiário que responda.

Loff tem este currículo:
http://www.letras.up.pt/dhepi/default.aspx?m=65

Tenha mais cuidado:
Não compare um historiador como Loff com um provocador que eu nem queria que me servisse as bicas à hora do lanche., e que também escreve umas biografias para o Círculo de Leitores.
E mais: eu nunca compraria uma história em "fascículos", uma "investigação" fasciculizada. É um tactica de feira - impingir o que não teve saída. Não tem nem terá.

Joao Sancho disse...

Na carreira académica não passou de assistente estagiário, diz o seu leitor Carlos Vidal. Para além da óbvia falsidade do comentário, é também demonstrativa da pequenez mental da paróquia. É que o Rui Ramos, que foi assistente estagiário, não fez, ainda bem para ele, a carreira típica destes Vidais da academia portuguesa. Quanto às qualidades de historiador de Rui Ramos, ela são tão óbvias. Se alguma coisa tiver sido feita em Portugal nos últimos anos com a qualidade da biografia D. Carlos, gostaria que me informassem. Cumprimentos Sr.João Gonçalves

Carlos Vidal disse...

Quando digo a coisa não ter tido saída, refiro-me a questões metodológicas e de conteúdo (os únicos comentários que a coisa Ramos suscitou foi o de ser encapotadamente fascista, nada mais). Vendas? Talvez, mas isso até o Rodrigues dos Santos..., e não é por isso que é "escritor" - porque seria este Ramos historiador?, Isso foram, à direita ou à esquerda, Magalhães Godinho, Veríssimo Serrão, Oliveira Marques, Mattoso, nunca o preguiçoso Pulido (por amor de Deus!!) nem o conceptualmente anão Ramos provocador. Respeite as obras que merecem respeito.
(Voltarei ao assunto, noutro lugar.)

jsp disse...

Pública exposição de dor-de-corno da sub-espécie da "sebenta" única - os/as carolinas salgado da "academia"...

camponio disse...

O Sr. Loff, mandatário da CDU, grande admirador do camarada, Staline sabe bem o que é revisionismo na história, e pratica-o.
Aflitos com o sucesso da iniciativa do Expresso e com a divulgação duma História que negam, os rapazes do PC encarregaram este camarada ( o melhor que têm para a tarefa e com assento no Público) do trabalhinho, mascarado de historiador exemplar e isento (com 3 semanas de atraso); em dois folhetins.
Infelizmente o "povão" já começa a ter saudades do ditador; até aqueles que não o conheceram. E quando começarem a divulgar os textos e a obra, vai ser o diabo(mesmo com a Pide...,uma organização benemérita ao pé da Tcheka e do KGB)

Isabel Metello disse...

Qualquer pessoa minimamewnte esclarecida sabe que o regime salazarista não pode ser designado como" fascista"- o fascismo é laico, aliás como o comunismo (ou melhor o socialismo, pois o comunismo era a última fase prevista pelo materialismo histórico- não nos esqueçamos o que quer dizer a sigla URSS = União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! Quanto aos comentários provincianos do Carlos Vidal, concordo com o leitor que os expressou! Tanta nulidade por aí sacralizada pelo jogo de cintura, depois do 25/74 (entãos, aquelas que beneficiaram das passagens administrativas!!! Ui!!!:)

F. disse...

É isso—quem não debitar umas chachadas sobre a economia no tempo de Carlos Magno não vê a ponta de um corno.

Nuno Castelo-Branco disse...

Um chato, uma autêntica varicela, este Rui ramos. Isto, porque vai contra tudo aquilo que desde há uns cinquenta anos se estabeleceu na auto-denominada inteligentsia lusa. Para cúmulo, Rui ramos é um comunicador nato, rende a atenção dos espectadores e de quem o lê nos jornais. Para os revisionistas da história - precisamente aqueles que acusam RR-, Portugal pouco mais é senão o talhão onde o primeiro soberano "bateu na mãe", onde os mouros eram umas jóias de inestimável preço. Pouco interessará se D. Dinis decidiu a plantação dos verdes pinos, mas sim o papel do Zé da Sarrafa que deitou algumas das sementes à terra de Leiria. O Infante era um proto-fascista e toda a dinastia de Avis era um prelúdio do próprio Partido Fascista, fosse ele qual fosse. A Expansão limitou-se à contabilidade de arrobas de pimentas, açafrões, cravinhos da Índia e pouco mais. O que conta é o erro da passagem de D. Sebastião a África - "todos sabem" e está "cientificamente" provado que o homem era torto, burro, defeituoso da pila, etc - e o piramidal equívoco da conspiração plutocrático-aristocrata dos conjurados de 1640 que investiu num "nacionalismo bacoco" em 1640. O ciclo do ouro e diamantes do Brasil limitou-se a umas trancadas de D. João V na Petronilha e nas conventuais de Odivelas. Em 1808-10, os ingleses é que foram "os maus" e o constitucionalismo "nunca existiu", pois a oligarquia terratenente, possidente e exploradora é que mandava. A república poderia ter "ido mais longe", na senda daquilo que um dia Lenine escreveu acerca desta catástrofe. E por aí fora, é esta a Estória de Portugal enquanto os saudosos das maluquices da Grande Guerra patriótica não tomarem o poder. Com um bocadinho de sorte para eles - e azar dos demais, isto é, de 85% da população -, num ápice Afonso Henriques obterá o estatuto de Samora Machel, D. João I será uma espécie de Fidel Castro, o Infante "um cientista dialéctico".

Anónimo disse...

"... num ápice Afonso Henriques obterá o estatuto de Samora Machel, D. João I será uma espécie de Fidel Castro, o Infante "um cientista dialéctico".

AHAHAHAHAH

Mais, o Infante "era bipolar, açambarcador, visionário e lunático ( e já agora psicopata, poderiam os mesmos acrescentar à lista...) e se vivesse nos dias de hoje era de certeza um ditador sanguinário", como já li algures num comentário, vai pra bastante tempo...
Claro que Estaline's, Lenine's, Brejnev's, Ceausescu's e quejandos, eram todos uns paz-d'alma e uns benfeitores e filantropos da mais pura água. Eles só desejavam a paz, o bem-estar e a abundância no seu país e no mundo. E sobretudo não tinham a mais pequena ambição em tornar o globo num imenso Goulag à semelhança do seu país e dos respectivos protectorados à sua volta, nem que tivessem de mandar assassinar mais uns cem milhões de inocentes. Isso tinham lá eles agora! Mas que ideia tão desconchavada!

Parabéns Nuno pelo seu (excelente) humorístico comentário.
Maria

PSC disse...

Basta ler um livro chamado "Sussurros". Está lá tudo. E talvez aprendam de vez e ganhem juízo o qual já perderam há muito tempo! Infelizmente a conclusão é SEMPRE A MESMA. INTELECTUALMENTE DESONESTOS! Sempre foram.
Parabéns Nuno Castelo Branco. E venham mais para nosso gáudio e satisfação.