27.8.12

Kershaw






Finalmente o José Pacheco Pereira leu o livro. «A história que este livro nos conta é de como, do atentado falhado contra Hitler até ao governo do almirante Doenitz, que continuou a funcionar semanas após o suicídio de Hitler e mesmo depois da rendição por breves dias, a máquina de guerra, a máquina produtiva, a máquina do terror, continuaram nas condições mais adversas, até ao colapso em 1945. Particularmente interessante é ver como, sob a égide de Bormann, cuja importância é crucial nesta fase final do nazismo, a estrutura burocrática de estado, já sobreposta inteiramente à do partido, continuava a funcionar. Os gauleiter, governadores regionais, detentores de consideráveis poderes executivos, assumem uma enorme importância no esforço de guerra e na repressão. É impressionante ver toda uma burocracia a funcionar debaixo de ruínas que os bombardeamentos aliados tinham trazido às cidades alemães e com os russos a poucos quilómetros, a executar todos os opositores, reais e imaginários, com tribunais ambulantes, assassinando milhares de pessoas, soldados, estrangeiros, prisioneiros, com toda a eficácia organizativa de que a Alemanha se mostrou capaz. De novo, uma ideia de vingança, do tipo “vamos perder, mas vocês não se vão ficar a rir” funcionou em proporções cruéis. O mais interessante do livro, é que nos mostra como uma burocracia eficaz, o clímax da modernidade, pode ser um instrumento ideal para a vingança colectiva, o clímax da barbárie.»

3 comentários:

Isabel Metello disse...

O mal sempre foi e sempre será arrogante, vingativo, pois é egocêntrico, instintivo, cruel, rasteiro, ignorante (não obedece às Leis Divinas, mas, tantas vezes, às deturpadas pelo homem a seu bel-prazer em Seu Nome, o que constitui uma verdadeira heresia, em tantas religiões (engraçado como as pessoas confundem o conceito de religião (= religar o homem a Deus :) com o da institucionalização da Fé :), tantas vezes, optando por fundamentalismos arcaicos, fingindo-se de renovados, que negam, de facto, A Palavra de Cristo- basta uma muito leve análise discursiva de retóricas apócrifas, básicas que em vez de O Esclarecimento cultivam a ignorância... !:) , mas A Princípios Inexoráveis! Tenho pena é de boas pessoas que se deixam ser lavadas ao cérebro, em proveito alheio!
Quanto à vingança do mal burocrático, deixe-os lá, coitados, são uns tristes e tal é sempre expectável destas criaturas cobardes e nefastas e, mais cedo ou mais tarde, conhecerão O que É A Justiça Divina! Quando já não os conseguimos perdoar, basta dizer: "Perdoa-me, Senhor por já não os conseguir perdoar e Perdoa-lhes, Senhor, que eles não sabem nem o que dizem nem o que fazem e deixar tudo no Colo de Deus e Nas Mãos Divinas! E aí sim, um dia, conhecerão O que É a Justiça Divina, que nem Tarda nem Falha! Deus não Castiga, Ensina e quem não aprende à primeira nem à segunda ou terceira, aprenderá à 13ª...Onde estarão essas almas perdidas, hoje, depois de terem feito tanto mal ao próximo? Num condomínio de luxo no Céu? :))) Nem pensar!!! Ui!!!

Vortex disse...

este tipo de socialismo esteve longe de ser tão trágico como o de Estaline.
os judeus não o esquecem e por isso vêm pagando a factura.
os comunas muito menos, antes e depois da implosão.
Borman, figura-chave, também era Austríaco

Nuno Castelo-Branco disse...

Não li o livro. Gostava de saber se o autor também comenta a política dos aliados ocidentais que procuraram totalmente ignorar a oposição interna alemã. Sabe-se que esta existia e que uma boa parte das informações vitais que dariam a vitória aos aliados, foram veiculadas por alemães. Conhecem-se os nomes e os grupos que teriam alguma influência junto das altas patentes da Wehrmacht, da Abwehr e da diplomacia do Reich. As Conferências inter-aliadas colocaram a oposição interna numa situação impossível, quando foi apresentado o estranho princípio da "rendição incondicional". Em suma, deram todos os argumentos ao departamento de propaganda gerido pelo Dr. Goebbels, colocando os generais perante um facto consumado. Publicaram-se mapas com a partilha da Alemanha, anunciaram-se maciças transferências de populações - limpeza étnica, há que dizê-lo e na mesma senda do projecto nacional-socialista -, tornou-se conhecido o Plano Morgenthau, uma imundície pouco recomendável até para os sempre voláteis parâmetros americanos. O caminho foi o da resistência que leva à paranóia absoluta que o livro decerto menciona. Por outro lado, os bombardeamentos terroristas perpetrados sobre as cidades e completamente inúteis sob o ponto de vista militar, reforçaram o regime até ao derradeiro momento. Passou a mensagem de uma aniquilação total do país e da população. Esta é a incómoda verdade.
É difícil tentarmos recriar a história, mas após Kursk ,não podemos ter a certeza do que teria sucedido se os EUA e o Reino Unido tivessem apresentado condições duras, mas aceitáveis. Com o péssimo clima reinante nas altas esferas do Alto Comando e da aristocracia, é bem possível que algo tivesse ocorrido. No campo da economia, os ingleses foram pela administração de Roosevelt convencidos a olharem para a Alemanha como um concorrente perigoso que podia ser eliminado. Isto, no preciso momento em que Washington decidia o fim de todos os impérios coloniais. Os russos quiseram chegar à Europa central, embora se saiba que até ao Dia-D, sempre temeram uma paz separada que traria o fim do regime de Hitler, mas sem dúvida, fronteiras muito diferentes daquelas que hoje conhecemos. Assim, se o livro mostra o vigor de um sistema concentracionário e implacável, também poderia tentar explicar-nos algumas das causas dessa resistência sem quartel. Em suma, aos alemães faltou uma séria proposta para uma saída da guerra, coisa que não aconteceu com o Japão, onde a rendição foi tudo menos incondicional. A prova? Hiro-Hito continuou no trono e o Japão é sem margem para dúvidas, um dos melhores e mais seguros aliados da América. Quanto à Alemanha, creio que esse tipo de alinhamento cego já é uma coisa do passado.