
Entretanto apercebi-me que o Francisco José Viegas apareceu no hebdomadário francês Le Monde. Surpreendi-o feliz como escritor e editor, e menos feliz enquanto político: «subitamente, eu, o editor feliz, o escritor sem preocupações, cometi este erro de aceitar um cargo político.» À semelhança de José Gil, e apesar de não estar preocupado com "inscrições", Viegas pensa que «os portugueses têm medo do futuro, de falar. E isto acontece depois da Inquisição, que foi há 300 anos, e de 50 anos de regime fascista de Salazar. Hoje, com a crise, continua. É terrível.» As últimas vezes que alguém ligado politicamente à cultura passou pelo Le Monde ocorreram com Manuel Maria Carrilho. Carrilho, aliás, colaborou no jornal e, quer como ministro da cultura, quer como embaixador de Portugal na UNESCO (curiosamente o "emissário" da sua rápida remoção do posto, Luís Amado, na altura MNE de Sócrates, o "emissor", é guest star na universidade de Verão da JSD talvez porque a "direita" aprecia a "subtileza" intelectual deste novo banqueiro), escreveu artigos e concedeu entrevistas. No fundo, o que Viegas quis dizer - não fosse dar-se o caso da paróquia constituír uma compreensível e actual preocupação do autor de Longe de Manaus-, já estava escrito por Carrilho, há três anos, justamente no Le Monde. «Cette dernière année a montré quotidiennement le désarroi dans lequel nous sommes tous plongés : le manque de repères et de boussoles qui puissent donner un sens à la vie et au monde ; les sophismes des experts enfermés dans des modèles artificiels, qui ne prévoient rien et n'expliquent que très peu ; l'impasse des politiques mondiales qui puissent répondre à la mondialisation économico-financière, en inventant de nouveaux équilibres entre le droit et le marché ; la frivolité des médias, qui deviennent de plus en plus les otages de l'instant et du sensationnel ; la difficulté des societés à avoir une vision d'ensemble sur elles-mêmes, comme si elles étaient aveuglées par le présent et n'avaient ni histoire ni avenir. La crise du monde actuel ne pourra être surmontée sans que l'on prenne ces problèmes à bras-le-corps (...) [avec] «des valeurs qui, plus qu'un écho du passé de l'humanité, doivent être surtout capables de donner naissance – à côté de la politque et de l'économie – à un nouveau, à un troisième pilier de la mondialisation : celui de la culture, dans l'acception la plus vaste du terme.»
5 comentários:
Pôr este "secretário de Estado" no mesmo saco do Carrilho e do Gil só pode ser consequência de demasiado sol na moleirinha, homem... Vá, vá lá tomar um duchezito frio e depois falamos.
O comentário poderia ter piada, não fosse anónimo. É fácil criticar quando nos escondemos...
José Couto Nogueira
Eu não simpatizo muito com o Carrilho, mas comparar o Carrilho com o secretário viegas só mesmo um golpe de sol.
O viegas afirma que Portugal fez as reformas que a Europa pedia. E parece que eram elas o aborto e o casamento homossexual - que não existe na grande maioria dos estados da UE, a começar pela França e pela Alemanha...
Parece que, de resto, estava tudo bem e que agora há que dar atenção ao Brasil - onde o viegas tem os seus negócios.
A coisa serve meramente para ver em que tipo de mundo - e que tipo de prioridades tem viegas.
Os tons alucinatórios eram já muito evidentes nesta extraordinária entrevista em que insulta a memória de Eça chamando-o "racista" - uma pura e completa calúnia - façanha que o deveria ter tonado desde logo inepto para o cargo para que tiveram a falta de gosto de o convidar (está a ver o viegas numa cerimónia em honra de Eça? Como seria?
http://www.portuguesepoesia.com/?page=entrevista&id=317
Homem da cultura, este?
A propósito: conhecem a posição deste pássaro sobre o aborto artográfico?
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