
Julgo que Eurico de Melo, desaparecido há dias, está perfeitamente retratado aqui. Lembramo-nos de Eurico de Melo, na noite de 4 de Dezembro de 1980, na qualidade de ministro da Administração Interna, como dos primeiros a chegar a Camarate. Lembramo-nos não tanto do político mas do homem absolutamente comovido com a perda de um amigo, ali, diante dos seus olhos. Depois, Eurico, com uma Helena Roseta - que nem sequer foi capaz de, no dia da sua morte, lhe dirigir uma palavra na sicn apesar de instada por Luís Filipe Menezes que lhe recordou que ela era sua amiga - e outros jovens turcos do PPD lisboeta, "puxaram" Cavaco para a famosa "carta aberta" ao dr. Balsemão que, aristocraticamente, conduzia o que restava da AD para o fundo. Entretanto Eurico esteve com Mota Pinto, em 1983, embora fora do "bloco central". Contra este, e com os referidos anteriormente, chegou à Figueira da Foz ao lado de Cavaco contra Salgueiro. Lembramo-nos dele, num debate na RTP, com Almeida Santos, que abandonou indignado. Depois foi o regresso ao governo, o abandono do governo e o parlamento europeu, com Helena Vaz da Silva e Lucas Pires. Todos mortos e, à sua maneira, todos bons. Gostei de ver Cavaco Silva no seu funeral. A forma como celebramos os nossos mortos também fala por nós.
1 comentário:
Estará bem retratado, certamente. E a transcrição fonética seguramente bem genuína.
Genuína, honrosa e muito mais legítima (que não caricatural) - a aceitar a fonética como base da grafia - do que a aberração ortográfica em que o nosso embaixador, desgraçadamente, sabe-se lá curvando-se perante que obediência, entende escrever. Tão mais lastimável, a opção, quanto é culto e é (seria) um gosto ler o homem e a sua escrita.
Entendo-o. Mas, embaixador de Portugal, não escreve em português.
Costa
Enviar um comentário