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31.3.12

«De todos, sou o mais triste»


 


Wagner, Die Walküre: Nina Stemme, Vitalij Kowaljow, Daniel Barenboim. Teatro alla Scala, 2010.

21.5.11

A VALQUÍRIA, NOSSA CONTEMPORÂNEA




No Grande Auditório da Gulbenkian passa uma récita de A Valquíria, de Wagner, a primeira jornada da tetralogia do Anel do Nibelungo, transmitida em diferido da ópera de Nova Iorque. A Valquíria é, para abreviar, a mais poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, aquele que vai da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito de tudo.

Bryn Terfel, Deborah Voigt, Jonas Kaufmann, Eva Maria Westbroek, Stephanie Blythe, Hans Peter König. 2011. Met. Direcção de James Levine.

A VALQUÍRIA, NOSSA CONTEMPORÂNEA




No Grande Auditório da Gulbenkian passa uma récita de A Valquíria, de Wagner, a primeira jornada da tetralogia do Anel do Nibelungo, transmitida em diferido da ópera de Nova Iorque. A Valquíria é, para abreviar, a mais poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, aquele que vai da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito de tudo.

Bryn Terfel, Deborah Voigt, Jonas Kaufmann, Eva Maria Westbroek, Stephanie Blythe, Hans Peter König. 2011. Met. Direcção de James Levine.

7.12.10

GRANDEZA E FRACASSO


Quem tiver o canal Mezzo ou a Rai Uno - e puder regressar mais cedo a casa -, fica habilitado a assistir mais logo, pelas 16 horas (17 locais), à transmissão em directo do Teatro alla Scala de Milão da 1ª récita da ópera Die Walküre (A Valquíria), de Wagner, a primeira jornada da Tetralogia O Anel do Nibelungo. Trata-se de uma encenação, nova, de Guy Cassiers, sob a direcção musical de Daniel Barenboim. O elenco é praticamente perfeito: Nina Stemme, Waltraud Meier, Vitalij Kowaljow, John Tomlinson, Simon O’Neill. Para quem souber ver, ler e ouvir, A Valquíria é, para abreviar, uma poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito.

GRANDEZA E FRACASSO


Quem tiver o canal Mezzo ou a Rai Uno - e puder regressar mais cedo a casa -, fica habilitado a assistir mais logo, pelas 16 horas (17 locais), à transmissão em directo do Teatro alla Scala de Milão da 1ª récita da ópera Die Walküre (A Valquíria), de Wagner, a primeira jornada da Tetralogia O Anel do Nibelungo. Trata-se de uma encenação, nova, de Guy Cassiers, sob a direcção musical de Daniel Barenboim. O elenco é praticamente perfeito: Nina Stemme, Waltraud Meier, Vitalij Kowaljow, John Tomlinson, Simon O’Neill. Para quem souber ver, ler e ouvir, A Valquíria é, para abreviar, uma poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito.

23.6.10

«UM HERÓI MAIS LIVRE QUE EU, O DEUS»



Para "celebrar" a mudança no design deste blogue, o "Vorspiel" e o princípio do 2º acto de A Valquíria, de Wagner, que recentemente vi na Ópera da Bastilha. No clip aparecem Bryn Terfel (Wotan), Lisa Gasteen (Brünnhilde), a orquestra é da Royal Opera House, de Londres, e o maestro é Antonio Pappano (num soberbo momento orquestral digno dos grandes maestros de Wagner). A gravação data de 2005. A Valquíria, a ópera nuclear do "ciclo do Anel", aparentemente possui uma "moral" simples que parafraseio livremente a partir de Hölderlin. Aos mortais, bem como aos deuses, nada é dado de graça.

«UM HERÓI MAIS LIVRE QUE EU, O DEUS»



Para "celebrar" a mudança no design deste blogue, o "Vorspiel" e o princípio do 2º acto de A Valquíria, de Wagner, que recentemente vi na Ópera da Bastilha. No clip aparecem Bryn Terfel (Wotan), Lisa Gasteen (Brünnhilde), a orquestra é da Royal Opera House, de Londres, e o maestro é Antonio Pappano (num soberbo momento orquestral digno dos grandes maestros de Wagner). A gravação data de 2005. A Valquíria, a ópera nuclear do "ciclo do Anel", aparentemente possui uma "moral" simples que parafraseio livremente a partir de Hölderlin. Aos mortais, bem como aos deuses, nada é dado de graça.

13.6.10

WOTAN/PESSOA


"Viveu" sempre e só nesse abismo que era a prosa dos seus versos e os versos da sua prosa. Como um Wotan privado de amor (porque a ele renuncia) e da capacidade de amar até ao fim, simultaneamente o mais humano dos deuses e o mais cruel dos homens. De uma carta sua a Francisco Cabral Metello, datada de 31 de Agosto de 1923. «Espero que a paisagem com que v. presentemente conversa lhe arranje um diálogo que o entretenha. Nem sempre acontece, não é verdade? Há árvores, pedras, flores, rios que são tão estúpidos que parecem gente.»

WOTAN/PESSOA


"Viveu" sempre e só nesse abismo que era a prosa dos seus versos e os versos da sua prosa. Como um Wotan privado de amor (porque a ele renuncia) e da capacidade de amar até ao fim, simultaneamente o mais humano dos deuses e o mais cruel dos homens. De uma carta sua a Francisco Cabral Metello, datada de 31 de Agosto de 1923. «Espero que a paisagem com que v. presentemente conversa lhe arranje um diálogo que o entretenha. Nem sempre acontece, não é verdade? Há árvores, pedras, flores, rios que são tão estúpidos que parecem gente.»

14.3.07

O CASO PINAMONTI - 2

Sobre este patético episódio, vale a pena ler o editorial de José Manuel Fernandes no Público e ir lendo o Henrique Silveira em o "Crítico". É de presumir - presunção não ilidível já que as "grandes" e únicas tiradas da "política cultural" deste governo tiveram todas o beneplácito dele: "Casa da Música", "Colecção Berardo" e a remoção de António Lagarto e de Paolo Pinamonti - que Sócrates concordou com este gesto político praticado com delicadeza latino-americana. Por isso, não convém deixar Vieira de Carvalho e Isabel Pires de Lima sozinhos em cena. Sócrates é quem manda.
"Foi um dia triste para a cultura portuguesa. A gente pequena que episodicamente habita o Ministério da Cultura afastou, sem justificação e sem civilidade, um homem grande cujo nome muitos recordarão por mais tempo do que o de suas insignificâncias. No São Carlos todos os que puderam apreciaram nas últimas semanas a montagem de uma das grandes óperas de Wagner: A Valquíria, segunda parte do ciclo O Anel do Nibelungo. Cruel coincidência. Na cena final da criativa encenação, recebida com entusiasmo, Brünnhilde, uma das valquírias, jaz dentro de um saco de plástico, idêntico aos utilizados para os cadáveres nos cenários de guerra, rodeada por um anel de néon que simula o anel de fogo imaginado pelo compositor. Ora essa imagem final parece mostrar como modernidade parece ser incompatível com o nosso único teatro lírico. Era como se, no centro do cenário que ocupava o lugar da plateia, fosse o próprio cadáver do São Carlos que jazia morto e apodrecia.Ou como se, numa visão ainda mais cruel, a coincidência de A Valquíria com a saída do melhor director que o São Carlos conheceu nas últimas décadas sublinhasse o lado negro da lenda nórdica, o momento em que os anjos se podem transformar em bruxas e os cabelos louros e atraentes das servidoras de Odin, o implacável senhor da guerra, o animal feroz, se revelassem pouco mais do que um platinado sem graça ou gosto. Como um outro platinado que por ora habita o Palácio da Ajuda, sede do Ministério da Cultura. Coincidências, lendas e alegorias à parte, a verdade é que a saída de Paolo Pinamonti do São Carlos é uma péssima notícia para a cultura portuguesa. É um terramoto que mostrou, à mais crua evidência, que a mesquinhez e o provincianismo bacoco têm hoje, à frente do ministério, fiéis intérpretes. Porquê mesquinhez? Porque, sopra-se, Pinamonti ganhava mais dinheiro que os directores-gerais de idêntico estatuto. Só pode ser verdade e ainda bem que era verdade: a mediocridade é barata, a qualidade paga-se. E, no caso da ópera e do director de um teatro nacional, o contribuinte paga bem menos do que acaba sempre por pagar para, por exemplo, alguns clubes de futebol praticarem desvarios em contratações de jogadores sem categoria. Ora o grande senhor que foi malcriadamente despedido por carta - o que é típico dos cobardes, dos que não são capazes de olhar olhos nos olhos - distinguia-se por ter categoria. Era um daqueles homens de cultura que, por raras vezes, Portugal tem a sorte de passarem por cá e cá fazerem o seu melhor para promover o nosso indigente nível cultural. Os que nos tornam acessível o melhor, assim ajudando a distinguir a mediania da excelência, elevando o gosto médio e a exigência de públicos que, por serem escassos, devem ser tratados como sementes que espalham a boa nova de ser possível assistir, em Lisboa, a algo que é belo e, ao mesmo tempo, comovedor. Nem todas as obras de arte atingem tal nível, mas as que lá chegam é que permitem saltos de qualidade. Mas não. A qualidade não parece ser o critério do momento. Mais depressa a mentira e a manipulação (veja-se a forma despudorada como a saída de Pinamonti foi apresentada como correspondendo a uma demissão, utilizando para tal um extracto fora do contexto de uma das cartas que escreveu a uma ministra que nem merece que se lhe cite o nome). Mais depressa o populismo sem horizontes (que é isso de um São Carlos para o turismo cultural? Matinés para japoneses?). Ou, pior ainda, mais depressa dirigista e controleiro, velha tentação de quem já foi controleiro na vida política e de quem entende que, na cultura, também há uma linha justa. Por isso o provincianismo. E a inveja, bem evidente noutras situações, como a que também hoje relatamos relativamente ao Museu Nacional de Arte Antiga. Uma directora faz bom trabalho, destaca-se, consegue dinheiro de mecenas? Então pancada para cima, que o palco de Portugal é curto e os medíocres nunca apreciaram quem a seu lado fosse capaz de se destacar. Em terra de cegos, quem um olho é rei. Arranquem-se pois os olhos a todos que não são cegos."
por José Manuel Fernandes, director do Público (nota: emendei o título da ópera, "Die Walküre" não é plural)

O CASO PINAMONTI - 2

Sobre este patético episódio, vale a pena ler o editorial de José Manuel Fernandes no Público e ir lendo o Henrique Silveira em o "Crítico". É de presumir - presunção não ilidível já que as "grandes" e únicas tiradas da "política cultural" deste governo tiveram todas o beneplácito dele: "Casa da Música", "Colecção Berardo" e a remoção de António Lagarto e de Paolo Pinamonti - que Sócrates concordou com este gesto político praticado com delicadeza latino-americana. Por isso, não convém deixar Vieira de Carvalho e Isabel Pires de Lima sozinhos em cena. Sócrates é quem manda.
"Foi um dia triste para a cultura portuguesa. A gente pequena que episodicamente habita o Ministério da Cultura afastou, sem justificação e sem civilidade, um homem grande cujo nome muitos recordarão por mais tempo do que o de suas insignificâncias. No São Carlos todos os que puderam apreciaram nas últimas semanas a montagem de uma das grandes óperas de Wagner: A Valquíria, segunda parte do ciclo O Anel do Nibelungo. Cruel coincidência. Na cena final da criativa encenação, recebida com entusiasmo, Brünnhilde, uma das valquírias, jaz dentro de um saco de plástico, idêntico aos utilizados para os cadáveres nos cenários de guerra, rodeada por um anel de néon que simula o anel de fogo imaginado pelo compositor. Ora essa imagem final parece mostrar como modernidade parece ser incompatível com o nosso único teatro lírico. Era como se, no centro do cenário que ocupava o lugar da plateia, fosse o próprio cadáver do São Carlos que jazia morto e apodrecia.Ou como se, numa visão ainda mais cruel, a coincidência de A Valquíria com a saída do melhor director que o São Carlos conheceu nas últimas décadas sublinhasse o lado negro da lenda nórdica, o momento em que os anjos se podem transformar em bruxas e os cabelos louros e atraentes das servidoras de Odin, o implacável senhor da guerra, o animal feroz, se revelassem pouco mais do que um platinado sem graça ou gosto. Como um outro platinado que por ora habita o Palácio da Ajuda, sede do Ministério da Cultura. Coincidências, lendas e alegorias à parte, a verdade é que a saída de Paolo Pinamonti do São Carlos é uma péssima notícia para a cultura portuguesa. É um terramoto que mostrou, à mais crua evidência, que a mesquinhez e o provincianismo bacoco têm hoje, à frente do ministério, fiéis intérpretes. Porquê mesquinhez? Porque, sopra-se, Pinamonti ganhava mais dinheiro que os directores-gerais de idêntico estatuto. Só pode ser verdade e ainda bem que era verdade: a mediocridade é barata, a qualidade paga-se. E, no caso da ópera e do director de um teatro nacional, o contribuinte paga bem menos do que acaba sempre por pagar para, por exemplo, alguns clubes de futebol praticarem desvarios em contratações de jogadores sem categoria. Ora o grande senhor que foi malcriadamente despedido por carta - o que é típico dos cobardes, dos que não são capazes de olhar olhos nos olhos - distinguia-se por ter categoria. Era um daqueles homens de cultura que, por raras vezes, Portugal tem a sorte de passarem por cá e cá fazerem o seu melhor para promover o nosso indigente nível cultural. Os que nos tornam acessível o melhor, assim ajudando a distinguir a mediania da excelência, elevando o gosto médio e a exigência de públicos que, por serem escassos, devem ser tratados como sementes que espalham a boa nova de ser possível assistir, em Lisboa, a algo que é belo e, ao mesmo tempo, comovedor. Nem todas as obras de arte atingem tal nível, mas as que lá chegam é que permitem saltos de qualidade. Mas não. A qualidade não parece ser o critério do momento. Mais depressa a mentira e a manipulação (veja-se a forma despudorada como a saída de Pinamonti foi apresentada como correspondendo a uma demissão, utilizando para tal um extracto fora do contexto de uma das cartas que escreveu a uma ministra que nem merece que se lhe cite o nome). Mais depressa o populismo sem horizontes (que é isso de um São Carlos para o turismo cultural? Matinés para japoneses?). Ou, pior ainda, mais depressa dirigista e controleiro, velha tentação de quem já foi controleiro na vida política e de quem entende que, na cultura, também há uma linha justa. Por isso o provincianismo. E a inveja, bem evidente noutras situações, como a que também hoje relatamos relativamente ao Museu Nacional de Arte Antiga. Uma directora faz bom trabalho, destaca-se, consegue dinheiro de mecenas? Então pancada para cima, que o palco de Portugal é curto e os medíocres nunca apreciaram quem a seu lado fosse capaz de se destacar. Em terra de cegos, quem um olho é rei. Arranquem-se pois os olhos a todos que não são cegos."
por José Manuel Fernandes, director do Público (nota: emendei o título da ópera, "Die Walküre" não é plural)

13.3.07

OS DEUSES TAMBÉM SE ABATEM


Esta é a versão oficial: Pinamonti recusou o convite. Mais tarde saberemos a verdadeira história. Trata-se da miserável crónica de uma demissão anunciada. As carpideiras, fartas de saberem o que se ia passar, anteciparam por uns dias o "requiem". Sou dos poucos que está à vontade sobre Pinamonti. Há quatro anos saí pelos meus próprios pés da direcção do Teatro Nacional de São Carlos a que ele presidia. Na carta de demissão que enviei aos então ministro e secretário de Estado da Cultura expliquei porquê. Não fui poupado pelas referidas carpideiras. Mal cheguei, pedi uma auditoria à gestão do Teatro a efectuar pelo Tribunal de Contas. Que eu saiba, até hoje nunca foi realizada. Defendi o encerramento provisório do Teatro para introduzir-se um módico de racionalidade, de eficiência e de controlo interno, acabando de vez com o arrastar de insustentáveis situações de facto de há muito instaladas. A resposta foi sempre "seguir em frente". Deste modo, o TNSC acumulou os erros da empresa pública, os erros da fundação do dr. Santana Lopes e da dra. Nogueira Pinto e os erros do instituto público. Mário Vieira de Carvalho vai agora somá-los todos na sua gloriosa OPARTE que, desde o ínicio, mereceu a crítica frontal dos directores artísticos do Teatro, Pinamonti, e da Companhia Nacional de Bailado, Ana Pereira Caldas. Resta saber quem são os monos disponíveis para tomar conta da OPARTE e do Teatro ao lado do novo director, antigo "intendente" da Ópera de Colónia. Certamente que não faltam candidatos, a começar pelos que inexplicavelmente ainda lá estão. Dito isto, Pinamonti prestou um relevante serviço à "cultura" deste pequenino país que abandona às mãos do caprichismo político-ideológico de uma "política cultural" protagonizada por dois "independentes" do PS, certamente com a complacência de Sócrates que deve perceber tanto de ópera como eu de russo. Os cortesãos que bajularam Pinamonti durante estes seis anos já devem estar a preparar-se para receber o novo director artístico. O governo foi um mau Wotan que quebrou a lança do guerreiro a meio da obra. O abraço que dei a Pinamonti no sábado à noite, depois da derradeira representação da "Valquíria" - um espectáculo emblemático e premonitório - pressentia-se o último. Dammann fica com o seu conterrâneo Wagner nos braços. Oxalá complete a "tetralogia" e que o "crepúsculo dos deuses" coincida com outros finais e maldições. Os deuses também se abatem.

OS DEUSES TAMBÉM SE ABATEM


Esta é a versão oficial: Pinamonti recusou o convite. Mais tarde saberemos a verdadeira história. Trata-se da miserável crónica de uma demissão anunciada. As carpideiras, fartas de saberem o que se ia passar, anteciparam por uns dias o "requiem". Sou dos poucos que está à vontade sobre Pinamonti. Há quatro anos saí pelos meus próprios pés da direcção do Teatro Nacional de São Carlos a que ele presidia. Na carta de demissão que enviei aos então ministro e secretário de Estado da Cultura expliquei porquê. Não fui poupado pelas referidas carpideiras. Mal cheguei, pedi uma auditoria à gestão do Teatro a efectuar pelo Tribunal de Contas. Que eu saiba, até hoje nunca foi realizada. Defendi o encerramento provisório do Teatro para introduzir-se um módico de racionalidade, de eficiência e de controlo interno, acabando de vez com o arrastar de insustentáveis situações de facto de há muito instaladas. A resposta foi sempre "seguir em frente". Deste modo, o TNSC acumulou os erros da empresa pública, os erros da fundação do dr. Santana Lopes e da dra. Nogueira Pinto e os erros do instituto público. Mário Vieira de Carvalho vai agora somá-los todos na sua gloriosa OPARTE que, desde o ínicio, mereceu a crítica frontal dos directores artísticos do Teatro, Pinamonti, e da Companhia Nacional de Bailado, Ana Pereira Caldas. Resta saber quem são os monos disponíveis para tomar conta da OPARTE e do Teatro ao lado do novo director, antigo "intendente" da Ópera de Colónia. Certamente que não faltam candidatos, a começar pelos que inexplicavelmente ainda lá estão. Dito isto, Pinamonti prestou um relevante serviço à "cultura" deste pequenino país que abandona às mãos do caprichismo político-ideológico de uma "política cultural" protagonizada por dois "independentes" do PS, certamente com a complacência de Sócrates que deve perceber tanto de ópera como eu de russo. Os cortesãos que bajularam Pinamonti durante estes seis anos já devem estar a preparar-se para receber o novo director artístico. O governo foi um mau Wotan que quebrou a lança do guerreiro a meio da obra. O abraço que dei a Pinamonti no sábado à noite, depois da derradeira representação da "Valquíria" - um espectáculo emblemático e premonitório - pressentia-se o último. Dammann fica com o seu conterrâneo Wagner nos braços. Oxalá complete a "tetralogia" e que o "crepúsculo dos deuses" coincida com outros finais e maldições. Os deuses também se abatem.

6.3.07

O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -4


Mais Valquíria. Três "leituras" completamente diversas do mesmo espectáculo - ainda no São Carlos na próxima quinta-feira, dia 8, e sábado, dia 10 - feitas por Augusto M. Seabra na "6ª" do Diário de Notícias, por Jorge Calado no Actual do Expresso, por Bernardo Mariano também no Diário de Notícias e pelo Henrique Silveira no Crítico. Os meus limitados conhecimentos informáticos e a falta de tecnologia adequada impedem-me de fazer links ou sequer reproduzir os dois primeiros. O de Mariano está algures numa anterior edição online do DN, ou seja, acessível. Não concordo inteiramente - nem sequer, por vezes, parcialmente - com tudo o que eles escreveram. Comecei no ensaio geral e vi mais duas récitas (voltarei no sábado). Digamos que a minha apropriação da coisa foi crescendo da dúvida da eficácia da encenação para a certeza de ter estado perante um belíssimo momento wagneriano ao qual, desculpem-me a imodéstia, estive "ideologicamente" ligado em 2003. Espero que o neo-realismo tardio da Ajuda não impeça as derradeiras jornadas tal como estão calendarizadas por Paolo Pinamonti e Graham Vick. Seria uma aberração cultural inexplicável e uma nódoa bem negra no brevíssimo currículo político do actual SEC.

Adenda: Por falar em SEC, o Ricardo Pais saiu por breves instantes do seu recolhimento nortenho - no S. João, do Porto - para atirar com o "limbo administrativo", em que alegadamente se encontra, à cara dos seus amigos na Ajuda. Pais é mesmo assim. Só fala quando a despensa começa a esvaziar. Está, diz ele, à espera da "entidade pública empresarial". Isto é, "massa", tenha lá o nome que tiver. Não andou ele com a tutela ao colo o ano passado e vice-versa? Telefone-lhes para o tirarem do limbo. Caramba, Ricardo, você já não é uma criança: ou o céu, ou o inferno. Escolha e acomode-se de vez.

O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -4


Mais Valquíria. Três "leituras" completamente diversas do mesmo espectáculo - ainda no São Carlos na próxima quinta-feira, dia 8, e sábado, dia 10 - feitas por Augusto M. Seabra na "6ª" do Diário de Notícias, por Jorge Calado no Actual do Expresso, por Bernardo Mariano também no Diário de Notícias e pelo Henrique Silveira no Crítico. Os meus limitados conhecimentos informáticos e a falta de tecnologia adequada impedem-me de fazer links ou sequer reproduzir os dois primeiros. O de Mariano está algures numa anterior edição online do DN, ou seja, acessível. Não concordo inteiramente - nem sequer, por vezes, parcialmente - com tudo o que eles escreveram. Comecei no ensaio geral e vi mais duas récitas (voltarei no sábado). Digamos que a minha apropriação da coisa foi crescendo da dúvida da eficácia da encenação para a certeza de ter estado perante um belíssimo momento wagneriano ao qual, desculpem-me a imodéstia, estive "ideologicamente" ligado em 2003. Espero que o neo-realismo tardio da Ajuda não impeça as derradeiras jornadas tal como estão calendarizadas por Paolo Pinamonti e Graham Vick. Seria uma aberração cultural inexplicável e uma nódoa bem negra no brevíssimo currículo político do actual SEC.

Adenda: Por falar em SEC, o Ricardo Pais saiu por breves instantes do seu recolhimento nortenho - no S. João, do Porto - para atirar com o "limbo administrativo", em que alegadamente se encontra, à cara dos seus amigos na Ajuda. Pais é mesmo assim. Só fala quando a despensa começa a esvaziar. Está, diz ele, à espera da "entidade pública empresarial". Isto é, "massa", tenha lá o nome que tiver. Não andou ele com a tutela ao colo o ano passado e vice-versa? Telefone-lhes para o tirarem do limbo. Caramba, Ricardo, você já não é uma criança: ou o céu, ou o inferno. Escolha e acomode-se de vez.

4.3.07

REFLEXÃO - 2


Caro leitor, deixo à sua reflexão o seguinte, depois de um episódio que muito me maçou durante toda a tarde, enquanto assistia à "Valquíria" (vista da plateia/palco, a arte total). Encontro, sentado numa mesa de café, um amigo de muitas cumplicidades, afinidades e intimações feito. Ele é socialista de quatro costados e conselheiro de socialistas de cinco, seis, mil costados. Nunca fui seu amigo - logo eu, medonho misantropo reaccionário- por ele ser tal, mas por que é das cabeças mais fascinantes e irónicas que conheço. Era das poucas pessoas com quem eu "falava" já que, com a maioria, falo a pensar na morte da bezerra. Como não estamos pessoalmente há quase um ano, deduzo que o episódio de ontem se deveu ao que escrevo o que, se me lisonjeia, preocupa-me. Nunca confundi amigos com cortesãos. Sempre entendi que o dever de um amigo é, quando necessário, dizer - ser o primeiro a dizer- que o rei vai nu e não fingir que, só porque é amigo, Jesus desceu à terra de novo. Ora este meu amigo recusou-me - com o argumentou irrepreensível que eu o "incomodava" - uma cadeira à sua mesa. "Sai daqui, incomodas-me", para ser mais preciso. Caro leitor, só vale a pena continuar a escrever (nem que seja só para si, o único leitor que está agora a ler isto) se for para o incomodar. Caso contrário, et par delicatesse, saio daqui.