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4.3.07

REFLEXÃO - 2


Caro leitor, deixo à sua reflexão o seguinte, depois de um episódio que muito me maçou durante toda a tarde, enquanto assistia à "Valquíria" (vista da plateia/palco, a arte total). Encontro, sentado numa mesa de café, um amigo de muitas cumplicidades, afinidades e intimações feito. Ele é socialista de quatro costados e conselheiro de socialistas de cinco, seis, mil costados. Nunca fui seu amigo - logo eu, medonho misantropo reaccionário- por ele ser tal, mas por que é das cabeças mais fascinantes e irónicas que conheço. Era das poucas pessoas com quem eu "falava" já que, com a maioria, falo a pensar na morte da bezerra. Como não estamos pessoalmente há quase um ano, deduzo que o episódio de ontem se deveu ao que escrevo o que, se me lisonjeia, preocupa-me. Nunca confundi amigos com cortesãos. Sempre entendi que o dever de um amigo é, quando necessário, dizer - ser o primeiro a dizer- que o rei vai nu e não fingir que, só porque é amigo, Jesus desceu à terra de novo. Ora este meu amigo recusou-me - com o argumentou irrepreensível que eu o "incomodava" - uma cadeira à sua mesa. "Sai daqui, incomodas-me", para ser mais preciso. Caro leitor, só vale a pena continuar a escrever (nem que seja só para si, o único leitor que está agora a ler isto) se for para o incomodar. Caso contrário, et par delicatesse, saio daqui.

REFLEXÃO - 2


Caro leitor, deixo à sua reflexão o seguinte, depois de um episódio que muito me maçou durante toda a tarde, enquanto assistia à "Valquíria" (vista da plateia/palco, a arte total). Encontro, sentado numa mesa de café, um amigo de muitas cumplicidades, afinidades e intimações feito. Ele é socialista de quatro costados e conselheiro de socialistas de cinco, seis, mil costados. Nunca fui seu amigo - logo eu, medonho misantropo reaccionário- por ele ser tal, mas por que é das cabeças mais fascinantes e irónicas que conheço. Era das poucas pessoas com quem eu "falava" já que, com a maioria, falo a pensar na morte da bezerra. Como não estamos pessoalmente há quase um ano, deduzo que o episódio de ontem se deveu ao que escrevo o que, se me lisonjeia, preocupa-me. Nunca confundi amigos com cortesãos. Sempre entendi que o dever de um amigo é, quando necessário, dizer - ser o primeiro a dizer- que o rei vai nu e não fingir que, só porque é amigo, Jesus desceu à terra de novo. Ora este meu amigo recusou-me - com o argumentou irrepreensível que eu o "incomodava" - uma cadeira à sua mesa. "Sai daqui, incomodas-me", para ser mais preciso. Caro leitor, só vale a pena continuar a escrever (nem que seja só para si, o único leitor que está agora a ler isto) se for para o incomodar. Caso contrário, et par delicatesse, saio daqui.

3.3.07

CENA FINAL

Donald McIntyre no papel de Wotan, cena final do III Acto

CENA FINAL

Donald McIntyre no papel de Wotan, cena final do III Acto

WOTAN -2

James Morris no papel de Wotan.

WOTAN -1

Jerome Hines no papel de Wotan.

WOTAN -1

Jerome Hines no papel de Wotan.

WOTAN -2

James Morris no papel de Wotan.

1.3.07

WOTAN/SÓCRATES


Num colóquio qualquer sobre política, globalização e "transformações" - as tretas do costume -, José Sócrates teve um acesso "wagneriano" e falou quase como o deus Wotan, esse titã "condenado" à eternidade. "A felicidade é abrir os jornais e não falarem de nós (...) Isto é uma coisa que nós almejamos. Só se alcança no momento supremo que é o momento da derrota. Quando formos derrotados e passarmos à condição de oposição, então seremos felizes para toda a vida", afirmou o nosso enigmático primeiro-ministro. Um homem que considera a derrota "o momento supremo" merece ser acompanhado com mais atenção. Também Wotan já só reclama o fim, dividido entre o poder asséptico e o afecto interdito. "Só consigo gerar servos", declara igualmente o deus perplexo com a maldição do seu destino. E Sócrates? Que género de gente anda ele para aí a gerar?

WOTAN/SÓCRATES


Num colóquio qualquer sobre política, globalização e "transformações" - as tretas do costume -, José Sócrates teve um acesso "wagneriano" e falou quase como o deus Wotan, esse titã "condenado" à eternidade. "A felicidade é abrir os jornais e não falarem de nós (...) Isto é uma coisa que nós almejamos. Só se alcança no momento supremo que é o momento da derrota. Quando formos derrotados e passarmos à condição de oposição, então seremos felizes para toda a vida", afirmou o nosso enigmático primeiro-ministro. Um homem que considera a derrota "o momento supremo" merece ser acompanhado com mais atenção. Também Wotan já só reclama o fim, dividido entre o poder asséptico e o afecto interdito. "Só consigo gerar servos", declara igualmente o deus perplexo com a maldição do seu destino. E Sócrates? Que género de gente anda ele para aí a gerar?