24.7.14

Uma natureza morta


 


O "caso" do dia fez esquecer o ano que passou sobre a tomada de posse do segundo governo de Passos Coelho. O homem "aguentou-se" e, se calhar, daqui a outro ano está mais "fresquinho" para disputar eleições do que a oposição próxima. Nem ele nem esta obterão qualquer maioria absoluta porque o descrédito geral da política junto das pessoas é total e, apesar de tudo, há coisas que não se perdoam. Para manter a coligação, Passos "ofereceu" a cabeça do então ministro da economia, aceitou três irrelevâncias pomposas (Lima. Moreira da Silva e Machete) e fingiu dar alguma importância ao seu pequeno parceiro pendurando-o num Palácio no cargo de vice-chefe do governo para este poder passear à vontade. Maria Luís Albuquerque foi a grande surpresa: ninguém falou mais de Gaspar. O resto, na prática, não existe ou esfarelou-se entretanto. Todavia a indiferença e o receio de pior são, paradoxalmente, as melhores "armas" de Passos Coelho, um homem sem angústias ou inquietações "metafísicas". Não é de olhar para trás mesmo que lhe digam que há devastação, sofrimento e escassez por perto. Só sai no dia em que ficar claro nas urnas que não o querem. Com isto não o pretendo elogiar mas tão somente "descrevê-lo". À distância e friamente como se se tratasse de uma natureza morta.

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