2.7.14

O estado de dissimulação



A pretexto da substituição de Vítor Gaspar, Paulo Portas apresentava há um ano um falso pedido de saída do governo. Falso porque não só ficou como, apesar de politicamente diminuído pelo primeiro-ministro - que lhe atribuiu a "coordenação económica" do executivo para ele poder andar lá fora a anunciar milhões,"colado" aos investidores privados, e colocar um "homem de palha" de sua confiança no lugar de Álvaro Santos Pereira -, "subiu" na hierarquia formal passando a vice PM. Na altura, naquele dia e até ao fim de semana seguinte no Hotel Tivoli, a pantomimice era "irrevogável" porque, nas suas palavras, "ficar no governo seria um acto de dissimulação" que não era "politicamente sustentável, nem pessoalmente exigível". Viu-se. Esta peripécia patética durou praticamente um mês até à posse do, na verdade, segundo governo de Passos Coelho. Pelo caminho subiram os juros da dívida e o PR hesitou em acabar com a farsa, como devia, antecipando eleições. À distância higiénica deles e de um ano, o "estado de dissmulação" em que o regime passou a viver acabou por "engolir" o seu autor material. Passos "obrigou" o seu vice a ver passar-lhe à frente, e a assinar de cruz, a mesmíssima "receita" que ele alegadamente recusava ver prosseguida com M. L. Albuquerque. Tal como o forçou a estatelarem-se juntos nas eleições europeias. Agora Portas pôe "condições" para renovar o "sucesso" de Maio último nas legislativas previstas para 2015. Está nas mãos de Passos Coelho manter o "estado" a que chegaram e aquele a que previsivelmente chegarão nesse momento. Não o invejo.

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