
«O perfil do candidato às presidenciais de 2016 tem de ser o de um estadista, segundo os sociais-democratas. “Não pode ser uma pessoa que tenha pactuado com os branqueamentos que aconteceram nos últimos 30 anos”, disse ao PÚBLICO uma fonte do PSD. Um candidato que “esteja acima das suas ambições pessoais”, acrescenta a mesma fonte.» Esta "fonte do PSD" viverá em que planeta? Não há praticamente ninguém no PSD - tal como no PS, sobretudo, ou mesmo no CDS para já não falar, à sua medida, no PC e na extrema-esquerda "parlamentar" que desaguou no desmembrado Bloco - que não "tenha pactuado com os branqueamentos que aconteceram nos últimos 30 anos", seja a nível central, local ou regional. Todavia, convinha que a "fonte" esclarecesse o que entende por "branqueamentos". Dito assim, o que parece que a "fonte" está a sugerir é que não pode haver mais "Cavacos", mais "Sampaios" e mais "Soares" já que Eanes saiu de Belém no princípio de 1986. Dos putativos "interessados", é evidente que, sem um módico de "ambição pessoal", nenhum chega lá. Marcelo só apareceu no último congresso do PSD no Coliseu por causa disso e não para se aliviar com meia dúzia de graçolas. Barroso não pára de ir e vir, até mesmo a locais remotos da "província" para descerrar lápides com o seu nome, pelo mesmo precaucionatório motivo. Rio anda a ver se "cresce" do Porto para baixo, qual Fabrizio del Dongo perdido em plena batalha, e Santana Lopes, nos intervalos da sua boa prestação como provedor da SCML, não pensa muito legitimamente em outra coisa. De todos, Santana é, em certo sentido, o mais livre e o mais estimulante até pela maneira como aprecia "desconstruir" politicamente os restantes três. A sua maior limitação, quase do foro freudiano-político por causa do que aconteceu há dez anos, consiste em representar o PR como uma espécie de alto comissário do regime "subordinado" ao primeiro-ministro. Ora ninguém vota para eleger um mordomo. Mesmo assim, a entrevista que concedeu ao Expresso é muito inteligente - oxalá o PSD da "fonte" a "saiba" ler - e ajuda a colocar Santana num futuro político necessariamente distinto da aridez e da mesmice do presente e do passado do regime. Com a vantagem de, com a sua autenticidade tantas vezes ingénua e voluntarista, não ter de ir a correr "branquear" coisa alguma.
Foto: Luís Barra
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