«O Governo já pediu opinião sobre o anteprojecto que vai aplicar uma taxa a todos os dispositivos que possibilitem a gravação de ficheiros, como telemóveis, tablets e até as caixas descodificadoras de televisão.» Por um lado incentiva-se, em nome do "progresso", da "modernidade" e da "globalização", a compra e o uso generalizado destas coisas. Mais. Qualquer criancinha que ainda mije nas cuecas, mais depressa se adapta a um iphone ou a um tablet (basta andar por aí e olhar para o lado) do que a ir ordeira e civilizadamente a um wc ou a pedir licença para sair da mesa. Por outro, "sovietiza-se" esses incentivos. Lendo o resto da notícia, e independentemente dos legítimos direitos autorais, percebe-se porém que o "anteprojecto" é intrinsecamente estúpido e potencialmente perverso: «enquanto as entidades que defendem os direitos de autor aplaudem a iniciativa, há quem aponte o dedo às falhas que o sistema tem pois, por exemplo, parte do princípio de que todos usam os telemóveis ou cartões de memória para fazer cópias de conteúdos. De acordo com o Jornal de Negócios a proposta que o Governo está a preparar ainda está desalinhada com algumas das novas tendências actuais, como o cada vez mais popular armazenamento de conteúdos na nuvem.» É mais sensato parar porque, como remata um personagem no filme Os Imortais do "imortal" António-Pedro Vasconcellos, há sempre um malandro mais malandro que nós.
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