
O senhor governador do Banco de Portugal - o lastro anestesiante do último e do incumbente não pára de deixar marcas - decretou que reina a "transparência" na opacidade dos Espírito Santo. A "exposição" não é significativa, assevera a componente bancária do "grupo". O próprio dr. Passos, juntamente com o dr. Seguro, ressuma "tranquilidade e sconfiança". O dr. Carlos Costa está para o regime como o Lexotan para os meus dias úteis e inúteis: "tranquiliza". Entretanto um livro conta que o "último banqueiro", o dr. Salgado, recebeu uma prendinha de milhões para "alavancar" um construtor civil em Angola ex-nossa. O dr. Salgado e o seu primo são reputados (cuidado com as segunda e terceira sílabas da "reputação", como recomendava Jorge de Sena) frequentadores do regime. E o regime, pelo menos até há dias, frequentava-os ainda com maior assiduidade. Os seus homens e as suas mulheres andam ou andaram por aí nas mais distintas sinecuras oficiais e oficiosas. Respeitam-se uns aos outros mas, constata-se agora, não se sabem dar ao respeito e merecem famosamente nenhum. Socorro-me, por antonomásia, da poesia de A. M. Pires Cabral e com ele afirmo por Retretes esse "destino" conformado, colectivo e abestalhado de nunca termos tido outro "senão parar defronte de retretes".
O comboio pára numa estação remota
que não vem no mapa.
É noite. Quero saber onde estou.
Desembacio o vidro da janela.
Na parede que me fica defronte,
a palavra Retretes.
Fico sem saber o nome do lugar,
conformo-me com isso.
Se calhar nunca tive outro destino
senão parar defronte
de retretes.
1 comentário:
É o que eu já venho a dizer há algum tempo! Este cheiro a nitreira que não nos larga há quarenta anos! E a nitreira começou a rebentar! E isto deve ser sómente o início. Aguardemos os próximos capítulos que não deverão tardar. "Quando se zangam as comadres........"
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