9.7.14

Sob escombros


 


Confesso que me deu um gozo indisfarçável a derrota humilhante do Brasil, "anfitrião" de um absurdo "mundial" de bola, perante a Alemanha. Ainda há dias caiu um viaduto a meio caminho de um dos não sei quantos estádios construídos sobre a miséria brasileira. O viaduto, que nem sequer esteve pronto a tempo do "mundial", é uma trágica imagem de uma falácia alimentada pela plutocracia democrática - ex-esquerdista e agora convertida ao pior dos capitalismos - do PT de Lula e da D. Dilma. Não sendo propriamente das esquerdas, faz-me impressão que alguns que se dizem delas se revejam nestes novos "heróis" do chico-espertismo mundial e do negocismo anónimo. Mas o deslumbramento é transversal, sobretudo entre nós, onde muita gente sonha chegar a Lula quando for grande e ter, eventualmente, uma casinha em Miami ou parecido da qual irradia para conferências, prémios e colóquios sobre as tradicionais "temáticas" da correcção política. Scolari, o treinador do infortúnio, passou por cá e terá alegadamente deixado um edificante calote fiscal que os contribuintes domésticos acabarão, se for o caso, por pagar. Não é sequer por deficiência profissional, mas tenho asco daqueles que torneiam as suas obrigações tributárias. E ainda mais asco dos que olham embevecidos e com inveja para os primeiros por não poderem, ou não saberem, fazer o mesmo. Todavia, em noventa minutos tudo ruiu e os autoctónes - não a nomenclatura "petralhista" ou os "scolaris" deste mundo - acordaram (verdadeiramente nunca se deixaram adormecer) para a sua triste realidade. D. Dilma, que nos detesta do alto daquele seu arzinho petulante e vazio, vai ter muito adequadamente que penar. Como escreveu Vasco Pulido Valente quando esta treta começou, «o Brasil arranjou maneira de fazer doze estádios, ainda em construção ou de qualidade duvidosa, e gastar milhões com a segurança da rua e dos turistas. Ficará o mundo com mais respeito e admiração pelos responsáveis de uma extravagância sem explicação e sem desculpa? Não me parece. A Interpol até fala em “jogos combinados”, coisa nunca vista, e ao lado do futebol os combates quase diários do exército (repito, do exército) e dos manifestantes “anti-Copa” mostram bem a sociedade caótica e corrupta em que as festividades decorrem. Vale a pena por um espectáculo efémero provocar as cenas de violência que as televisões passam e revelar o verdadeiro atraso de um país que não se consegue governar?» Viu-se. E não há-de ficar por aqui.

1 comentário:

Pedro disse...

"Que nem irrrmãos":
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/os-rastros-do-grupo-espirito-santo-no-escandalo-do-mensalao