10.8.12

Um "estado" que não se recomenda


 


Ruben A. escreveu, há anos, um livro sobre nós. É um romance mas, na realidade, é uma metáfora literária sobre Portugal e os portugueses. Com ou sem "fascismo", a prosa alegórica mantém a actualidade porque, com ou sem Europa, nós intrinsecamente mudámos pouco. Apesar dos níveis oficiais de literacia indicarem melhorias, persistimos fundamentalmente estúpidos como pedras. Ruben resumia a deficiência a um "deixa estar como está para ver como fica". Vem isto a propósito das fundações (também servem "observatórios", "institutos", "equipas de projecto", "grupos" sem ser folclóricos, etc., etc.). Sobrelotado delas, o país assiste à "indignação" de meia dúzia de peralvilhos, cuja biografia se confunde com o regime, que não querem que se mexa na "sua" fundação. Rever o funcionamento de uma fundação, ou extingui-la quando depende exclusivamente de dinheiros públicos, não implica necessariamente acabar com o património material ou imaterial que lhe empresta o nome. Mas, para esta gente, "mudar" é sempre excelente desde que não os mudem a eles e aos trambolhos que edificaram para sua perpétua e insignificante glória. É à egrégia cretinice desta gente - todos somados são uns bons milhares deles - que devemos o actual "estado da arte". Um "estado" que não se recomenda e que começo a achar que não vale a pena tentar mudar.

7 comentários:

fado alexandrino disse...

Concordo.
Discordo absolutamente da extinção da Fundaçâo do Carnaval de Ovar.
Num país em Carnaval permanente, pelo menos uma fundação do mesmo é necessária.
Toca a sambar.

eirinhas disse...

As fundações,as benesses,os cortes de subsídios é tudo muito bonito quando toca aos outros.Quando nos bate à porta,são uns malandros!Que o governo emagreça o Estado onde deve sem excepções,é o que se lhe pede e exige.

Carlos Vidal disse...

O post é cobardemente dirigido à Fundação Paula Rego que, sintomaticamente (pudera!!!!), é ocultada no texto: então meu caro, qual é o problema, tem medo? Diga e escreva lá um post com o nome da coisa, "Fundação Paula Rego". Assim a merda deste lugar governado por quem é, por quem confunde uma pintura com um cu (refiro-me a Gaspar e aos seus muchachos), fica às claras. Não se esqueça que a outra mulher, a Vieira, não é uma artista portuguesa. Esta só ficará portuguesa se for parva. Fique lá com o seu Ruben A. E com o grande a ao que consta careca Passos!

João Gonçalves disse...

O meu caríssimo Carlos Vidal perdoar-me-á mas não tem razão. Quando muito poderia estar a pensar numa fundação "António Capucho", subsidiada pelas nossas três tvs generalistas, incluindo as respectivas vertentes cabo. Não acha que uma estátua do comendador ambulante, daquele calibre, merecia elo menos uma? Cumprimentos.

Marão disse...

Não recordo o autor, mas foi lido há muitos anos num jornal:
"O POVO QUE TEMOS - Quem tiver paciência, e oportunidade, de ler e consultar os jornais de há 60 ou 70 anos, e mais, e se der ao trabalho de comparar o que então se dizia e fazia, com o que actualmente se diz e faz, não pode deixar de se surpreender com o paralelismo flagrante de situações e de oratória política. Com efeito, dando mostras do mesmo congénito sinal de incapacidade entre a manifestação da vontade e a capacidade de traduzir a mesma em actos positivos, o português, cada vez mais aferrado a hábitos de calaceirice e indolência mental, propõe mas não actua, perora e denuncia mas, para tanto prefere sempre o anonimato, projecta mas não realiza, e sem verdadeiro e autêntico sentido de humor, fabrica piadas ou faz anedotas. No capítulo físico , é teso, mas quanto a valentia, que é aceitação racional e calculada dos riscos e do perigo, vai-se contentando com os "brandos costumes", e a crença do que é preciso é sorte e dinheiro para gastos. De modo que, a par das pseudo-soluções em que é fértil, consente, perfeitamente à vontade, o crime, a desonestidade, a violação do Direito, e o "gamanço", a que chama "esperteza". Verborreico e superficial, por atavismo, não possui qualquer sentido dramático da existência - e aqui se diferencia basicamente do espanhol - e é capaz de misturar, facilmente, o heroísmo com a cobardia. Saudavelmente, porém, diante do pior drama, faz pilhéria. É este o Povo que temos".

Carlos Vidal disse...

O sr Capucho não interessa para nada agora (por acaso até é sensível às artes plásticas, é pai de uma excelente aluna minha na FBAUL, uma notável pintora, a Mónica - caro, deixe o sr em paz...). O que é preciso é saber se o Estado quer gastar o necessário para acomodar as 800 obras da sra Rego, e não negociar a posteriori como teve de fazer o persistente e muito bondoso Sommer Ribeiro com o Estado francês a criação de uma fundação da francesa Vieira da Silva em Lisboa (se eu fosse Vieira e vivo na altura nem uma vinha para cá, porreiros franceses). A Fundação Paula Rego faz todo o sentido, pode e deve ser centro de investigações daquela obra, preservação, etc: o Estado tem as suas obrigações, ou não? Serralves e Gulbenkian estão mal classificadas nesse jogo de putos parvos que o grotesco Gaspar nomeou para brincar aos rankings. Não é altura de ganharmos juízo? Que diria o Seana??

Carlos Vidal disse...

(O Sena, claro, quis eu dizer.)