
«É a segunda crise neste verão. Primeiro foi o futebol, a gritaria e as cãibras de estômago sempre que se abeirava o "jogo decisivo", aquele que nos catapultaria de novo para a condição de potência. Agora, os jogos olímpicos, com um estendal de logros, desistências e desclassificações fragorosas. O respeito de um país e o auto-respeito não se fazem com o pé na bola, a mão na raqueta, as sapatilhas no tartan. Não há jogo, medalha ou taça que substituam uma patente científica, uma nova empresa de excelência, a subida de uma posição no podium das estatísticas de produtividade, competitividade, escolarização e literacia. Parece que pusemos tudo de pernas para o ar.»
Miguel Castelo-Branco, Combustões
Foto: mi9.com
2 comentários:
O problema é esta dicotomia esquizofrénica que faz com que estejamos como estamos.
Por um lado, é só trabalhos intelectual fisicamente limpo e asséptico que é bom, por outro o trabalho suado habilidoso e potencialmente sujo e mal cheiroso, indigno portanto.
Mas o curioso é que fazer um músico não é diferente de fazer um Futebolista ou ginasta, etc:
1º é preciso descobri-los e motiva-los;
2º - é preciso ter uma estrutura escolar que lhes dê formação adequada;
3ª - manter a autodesciplina nos formandos;
4º - no fim respeitar e promover o trabalho bem feito destes artesãos.
Já basta o edeusamento feito a uns en detrimento de outros, se a estes últimos, despresados a maior parte do tempo, exigimos tudo e ganharem uma colecção de medalhas (só por milagre de Fátima!).
É por issso, que só querem ouvir músicos da estranga, porque não formaram os nacionais, directores do S. Carlos da estranga, porque idem, e nunca os vejo comentar uma audição duma escola de Música, Ginástica, de soldadura, etc
Parabéns Miguel Castelo Branco!
Exactamente!"Está tudo de pernas para o ar"! Mas ninguém quer ver e ninguém faz nada. Este País(?) continua a ser "uma apagada e vil tristeza!Resta-nos emigrar para paragens mais saudáveis onde não existam tantos "brutos".
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