6.8.12

Ser o que isto é

No fim de semana, a GNR andou por aí numa "operação" denominada "Baco" (as nossas autoridades policiais, para além de subliteratura da especialidade e das telenovelas da tvi, pelos vistos também consomem clássicos a avaliar pelos títulos que apreciam atribuir às "operações") e vasculhou cerca de quase dez mil cidadãos - na América Latina não se faria melhor. Quem já foi "apanhado" numa destas sublimes "operações", sabe do que falo. Ao fim de meia hora dá vontade de doar o carro aos senhores agentes, apanhar um táxi ou, no limite, deitarmo-nos na faixa contrária à espera que outro carro passe delicadamente por cima de nós e nos liberte. No meu caso, nem precisei sair de casa. Comecei o dia autuado pela Emel, via carteiro, porque algures em Outubro deixei o automóvel parado uns minutos num estacionamento de uma rua obscura da Quinta da Luz que a CML decidiu reservar a "residentes". Era a meio da manhá e, naturalmente, os residentes já tinham deixado a rua deserta. E não era seguramente o meu carro que os impediria de estacionar se regressassem entretanto. Mas quem sou eu para contrariar o sr. Nuno R. , zeloso funcionário da Emel, que viu ali um potencial arguido e 60 euros de lucro para a dita Emel? No fundo, é apenas alguma evidência das "razões para isto ser o que é".

4 comentários:

Garcia disse...

O problema é que diversas entidades, designadamente policiais e a EMEL, vêm a sua actividade operacional prejudicada pelas restrições orçamentais pelo que têm que ir buscar receitas onde elas existem. O governo faz vista grossa pois assim não tem que aumentar os impostos. Estas multas de estacionamento e operações polciais são uma forma anestésica de criar imposto informais.

fado alexandrino disse...

Não pague, com alguma sorte acaba por prescrever.

Observador disse...

No essencial tem a sua resposta: "porque algures em Outubro deixei o automóvel parado uns minutos num estacionamento de uma rua obscura da Quinta da Luz que a CML decidiu reservar a "residentes".
Temos de escolher de uma vez por todas: ou somos permissivos e assumimos o "jeitinho", o "pode ser" e o "não se importa" ou somos rigorosos e cumprimos e fazemos cumprir. A escolha é de cada um é certo, apenas lamento o habito tão português de acharmos que pode haver excepções e permissões para tudo. Se é PROIBIDO ESTACIONAR porquê infringir?

observador disse...

"Dura Lex, sedLEX", mas só conheço os ditos clássicos de ouvido ...