17.8.12

O "rosetismo"

A irredutível vereadora Roseta, uma "moralista" bicicleteira, julga que o chamado "Estado Social" caiu do céu no tempo em que ela devia detestar bicicletas. Não. O Estado social é uma criação louvável que, à semelhança da vida em geral, está em crise. Na sua encarnação socialista - ela aderiu ao PS em 1991, no meio de uma violenta choradeira, no dia em que Sampaio perdeu estrondosamente para Cavaco -, Roseta naturalmente não se apercebeu para onde corria o dito Estado social como, de uma maneira geral, dificilmente se apercebe de qualquer coisa palpável, tipo "facto", que alguém designou por crença não-ansiosa. O que não calha, de facto, com ela. Ora os factos mostram-nos que, para além de poupados (prefiro o termo "austeros" que é uma forma de ultrapassar a austeridade enquanto modo de vida contingente), devemos ser cautelosos na apreciação das políticas públicas tendentes a evitar que o Estado social pura e simplesmente acabe. Roseta é uma dos muitos que não percebem esta evidência por causa daquela demagogia do "coitadinho". Já sou do tempo em que muitas pessoas, com pouco mais de cinquenta anos, se "reformavam" e, decerto, não eram propriamente "coitadinhos". A acumulação de coisas destas afundou o "social" do Estado: os "activos" mal chegam para pagar os precoce e os atempadamente inactivos, e o Estado social resvala para lado nenhum se nada for feito. Não é certamente com "rosetismos" que lá se chega. Se se chegar.

6 comentários:

Anónimo disse...

Não diga mal do ES, que tão bem tem feito pelas Assunções Esteves da vidinha

Luís Penedo disse...

O Estado Social está a acabar? Não me digam que tiraram as duas casas camarárias ao jornalista Baptista Bastos.

Passaroco disse...

Não se esqueça de também referir as "Assunções da vidinha" do outro lado da "barreira"!.. Já que é para atacar disparatadamente!

Ricardo Bernardes disse...

moralista "bicicleteira"? muito, muito bom!!
lembro-me de a ver chegar aos Paços dos Concelho na sua pasteleira com cestinho de flores e tudo . . . até descobrirmos que, morando nos lofts ao fundo da Infante Santo, ia de motorista até ao Cais do Sodré, onde desembarcava para uma bicicleta diligentemente disponibilizada por um assessor da vereação. era muito eficaz, a imagem da moralista "bicicleteira" a chegar à Praça do Município, sobretudo em dia de reunião de Câmara, com os jornalistas a aguardá-la para uma qualquer declaração indignada.

Anónimo disse...

Para mim, estão TODOS do outro lado da barricada, uns com manchas de gordura mais rosadas nas camisas, outros com nódoas mais alaranjadas, mas todos à mesma mesa e a comungar do mesmo banquete obsceno. E se o Passaroco julga que, por escolher um lado o vão deixar comer, ainda dá por si depenado e a olhar para um cutelo...

karocha disse...

E as Palmeiras?
Era voz corrente, era o que se dizia: tinham custado 500 contos cada uma.
Plantadas naquela altura do ano, eu disse "Vão morrer!" Tiro e queda, depois vieram outras na altura certa!!!