
O Bloco anda a preparar a "sucessão" do dr. Louçã. Devia preparar a sucessão de toda a nomenclatura, sobretudo os pseudo mais novos e novas que já nasceram velhos e soturnos. O Bloco perdeu a graça se é que alguma vez a teve. Prudentemente, algumas das suas "promessas", como Rui Tavares - que já vai a mais de meio da ponte para o PS -, largaram Louçã da mão. A primeira foi Joana Amaral Dias, alguém que inexplicavelmente Medeiros Ferreira vê brilhar no futuro firmamento político nacional como George Sanders via Monroe em All about Eve. A saga iconoclasta de Joana começou por alturas da candidatura 13% do dr. Soares, em 2006, e nunca mais parou graças à sempre generosa RTP. Louçã tornou-se insuportável. É, aliás, da natureza dele - aquele misto de catequista com lançador profissional de bombinhas de mau cheiro. Antes dele, o embotado prof. Rosas fez o enorme favor à pátria de se retirar para a nobre pastorícia do comentarismo televisivo onde é apenas irrelevante. O Bloco surge cada vez mais como uma espécie de emplastro das manifestações de Arménio Carlos e do PC. Mais tarde ou mais cedo, o PC e o seu "movimento sindical" acabariam por recuperar um terreno que só pela "novidade" o Bloco tomou. Para além disso, o BE distinguiu-se sempre pelo seu carácter radical pequeno burguês, como diria Cunhal, de fachada socialista: um movimento dirigido por uma intelectualidade citadina, em geral "bem nascida", cuja ligação às "massas" é puramente retórica e nula. Tudo indica, pois, que o Bloco vai legar um "senador" ao regime. Era o que mais falta lhe estava a fazer.
8 comentários:
Meu caro João,
De facto, já nada me espanta. O dr. Louçã promovido a "senador" do regime não lembra ao careca, mas tudo é possível. Até isso...
Ah, mas têm lá a prometedora deputada Catarina Martins, que, sendo actriz de profissão e licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (ver website do Parlamento), se assenta na Comissão de Economia e Obras Públicas, é suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito à Contratualização, Renegociação e Gestão de todas as Parcerias Público-Privadas do Sector Rodoviário e Ferroviário, e manda bitates sobre todo e qualquer assunto. Uma mulher assim vai longe. certamente.
por outro lado (ou por outra perspectiva):
- o Bloco é o único partido que oferece a possibilidade de verdadeiras políticas sociais democratas (no sentido tradicional do termo); é o partido que mais deseja uma cada vez melhor transparência, democracia e diversidade internas (prova disso são os variados choques, públicos, entre opiniões divergentes); é um partido relativamente livre dos parasitas, oportunistas, carreiristas e mediocres "jotas" e boys, que infestam todos os partidos à sua direita.
Por estas razões, o BE é um oásis no panorama político nacional. Mas lá está, obviamente (como todo o partido, e toda a gente) que tem características mais ou menos irritantes - mas no fundo, interessa assim tanto o ar de catequista do Louçã (que é apenas isso, um "ar")?
não tenho tempo nem paciência para ouvir elementos da esquerda coprofágica
Meu caríssimo BigJohn, o BE é tão necessário ao Regime como os apanha-bolas ao futebol. Deixá-los.
Gostei do post. Bem mordaz como eu gosto. Abraço.
Se bem me recordo, parece-me já ter visto o futuro "senador" na bancada principal do Benfica. Isso quererá dizer muita coisa, futebolês aparte.
Ainda acaba num parlatório da "bola" num qualquer canal televisivo.
Respeitinho, Dr. Gonçalves. Respeitinho. O senhor é que não faz falta nenhuma ao país.
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