Graças à canoa referida no post anterior, dois atletas portugueses foram finalmente medalhados em prata para amplo consolo nacional. Nada como famílias felizes. Todavia, como a felicidade é um fragmento, a GNR, depois de "Baco", vem de novo fiscalizar condutores em massa - quantos? vinte mil? vinte cinco mil? - quanto ao uso do cinto e ao não uso do telemóvel. Chama-se, com muita ternura, "operação anjo da guarda" (tvi, cubavison?). Apesar de tudo é um upgrade em relação à antiga monomania da brigada escondida atrás de uma árvore ou moita à espera do potencial, e sempre garantido, arguido. Como perguntava o outro na mesma velha canção, "canoa, para onde vais"?
4 comentários:
Anjo da guarda? Sê-lo-á para o orçamento de estado (e bem fraco anjinho, há que convir; é o desespero inconfessado, enfim). Pois se nos pilham como grande desígnio nacional, e perante a arrogante impunidade de quem nos trouxe a este buraco, porque não gozarão escabrosamente connosco?
Dá dinheiro e sempre é (muito mais!) confortável e seguro, como exercício de "autoridade", do que entrar naqueles bairros onde, diz-se, nem a polícia entra e fazer por lá o muito que há por fazer.
Costa
Parabéns pelo feito extraordinário. E eu a pensar que prevenção e fiscalização
constituiam tarefas rotineiras. Anjo da guarda, já agora republicana.
Não percebo onde está o "erro" (eu sei que, por ser guarda republicano, padeço de fortes limitações intelectuais). Apesar dessas limitações, ou por sou causa, parece-me que a esta forma de fiscalização preventiva é das mais eficazes que podem ser desenvolvidas:
1. os cidadão são avisados antecipadamente dos objectivos e podem evitar a infracção;
2. os media, informando sobre a operação, exercem um importante papel pedagógico, relativamente aos factores críticos de segurança em causa;
3. os que estudam estas coisas, ao contrário dos "bitaiteiros" de serviço, sabem que esta forma de actuar produz execelentes resultados (redução dos comportamentos de risco e da sinistralidade.
Um guarda republicano
Toda a razão. E não pense que confundo quem cumpre as ordens com quem define os objectivos e os meios para os alcançar.
Já agora, que invoca prevenção e pedagogia, que tal colocar abundantes carros da GNR, claramente identificados como tal, a circular continuamente nas auto-estradas e estrada? Bem visíveis (e visão frequente) para todos os que nela circulam, em lugar de carros descaracterizados e que apenas se identificam quando ligam o "pirilampo" azul. Depois da falta cometida...
Isso seria prevenir. E isso seria uma actuação insusceptível de ser qualificada de caça à multa e que reforçadamente legitimaria a multa que fosse aplicada.
Em todo o caso, seja qual for o critério - de prioridade preventiva ou punitiva -, entristece ver a PSP e GNR bem equipadas, com carros velozes e novos (e consta - consta, apenas... - carros de aspecto banalíssimo ou até envelhecido mas que escondem preparações mecânicas que os dotam de altas prestações), para perseguir o automobilista mais apressado e, queira-se ou não, obter preciosa receita para o estado, enquanto para o restante serviço de vigilância e manutenção da ordem pública se recorre a automóveis decrépitos, quando não massivamente avariados e longamente imobilizados, que se arrastam penosamente, incapazes de fazer frente ao mais "banal" praticante do roubo por esticão que utilize um qualquer pequeno automóvel utilítário.
E isso, conceder-me-á, é um facto frequente.
Mas não o imputo a si, prezado Guarda Republicano, cuja dedicação e competência não questiono. Nem ponho em causa as suas capacidades intelectuais.
Costa
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