15.4.12

Cultura, um activo desprezado



Pela autora de A Roda sou levado a Vargas Llosa. Um pouco por todo o lado, e à conta da crise, assiste-se ao declinar da cultura que, para "facilitar", foi tomada de assalto pelo entretenimento e, nas palavras de Llosa, pela frivolidade. Não devia ser assim. A própria "Europa", através da Comissão, por exemplo, tem chamado a atenção (e muitos estudos internacionais o sublinham) para a importância da cultura no PIB, na economia, na promoção do emprego, na competitividade, na coesão social e, até, no empreendedorismo. Em suma, como um activo, cerne do desenvolvimento humano e da civilização, num mundo imaterial baseado no conhecimento, como a vê (e bem) a Comissão do dr. Barroso. É pena que a Europa do "eixo Merkel/Sarkozy" - tão emblematicamente representado pelo "tratado orçamental" que é uma espécie de versão kitsch do "e tudo o vento levou" - não perceba, ou não queira perceber, esta evidência e se dedique quase em exclusvo à "cultura" unidimensional da pura contabilidade. «Yo creo que sería una tragedia que justamente en una época en que hay un progreso tecnológico, científico, material extraordinario, al mismo tiempo, la cultura vaya a convertirse en un puro entretenimiento, en algo superficial, dejando un vacío que nada puede llenar, porque nada puede reemplazar a la cultura en dar un sentido más profundo, trascendente, espiritual a la vida.» Eu também.

8 comentários:

Luis Geraldes disse...

entrevista, acerca deste tema, elaborada com mais substância, está no suplemento cultural do ABC do fim de semana passado, onde Vargas desvela com bastante profundidade este tema, confirmando o seu desprezo pela esquerda romântica, mas enfim a Portugal as noticias chegam-nos sempre uma semana atrasada e pelos jornais da "sinistra" romântica.
caso pretenda posso envia-lhe a entrevista digitalizada, uma vez que o único jornal que adquiro é o ABC.
Luís

João Gonçalves disse...

Muito obrigado, Luís. Envie então sff.

Anónimo disse...

Parabéns pelo novo look. Muito apelativo. Bam haja pelo bom gosto.

Samuel

hcl disse...

Um dia, hei-de entender a relação, aparentemente proporcional directa, entre cultura e impostos.
São os livros que ninguém quer ler e/ou os filmes que ninguém quer ver?
É o prazer de gastar o dinheiro dos outros em projectos nossos ou do nosso grupo de interesses (naturalmente para benefício da populaça ignorante)?

Há novidades.
Está tudo teso à conta de se gastar o dinheiro dos outros em projectos para aumentar o PIB.

C disse...

Mas fala de questōes de cultura europeia de um país que dedica tempos e energias a adoptar a ortografia de um país estrangeiro?
Quer maior crime e maior frivolidade?
E este governo não prossegue nela?
Comecemos em casa.

António Viriato disse...

Há muito que isto se tornou uma evidência e só os distraídos ou os embotados de espírito de tal ainda se não deram conta.

maria disse...

Falar de Cultura em Portugal deve ser o nome de revista do Parque Mayer.
Só para falar em Lisboa:

DESTRUIÇÃO DAS TERACENAS REAIS JUNTO AO RIO

DESTRUIÇÃO DA RAMPA DE EMBARQUE QUINHENTISTA ENCONTRADA NA PRAÇA D.LUÍS

DOAÇÃO DA CASA DOS BICOS A PILAR DEL RIO

O ESTADO CALAMITOSO DO TERREIRO DO PAÇO, ACRESCIDO DE OBRAS COM BURACOS PROFUNDOS PARA COLOCAR CHAPÉUS DE SOL PERMANENTES

E PORQUE VISITEI O CONVENTO DO CARMO COMO DEVE SER!!, A GRANDE VERGONHA NACIONAL QUE É O LARGO DO CARMO. O COSTA JÁ TEM O PROJECTO PRONTO PARA INSTALAR ESPLANADAS NAS TRASEIRAS DO CONVENTO. ORA ESTE CONVENTO CONSERVA UMA PARTE MEDIEVAL DO TEMPO DE S. NUNO LINDÍSSIMA, FIQUEI EMOCIONADA QUANDO VI!..........MISERÁVEIS!!!

E POR FIM O COSTA É A GRANDE APOSTA SOCIALISTA

Isabel Metello disse...

A meu ver, "tudo é cultura nada é cultura, é uma questão de dose"- as origens do Teatro são populares; o romance moderno emergiu da dessacralização das personagens, da afirmação do homem comum; grandes peças de ópera inspiraram-se em histórias prosaicas; a Vida é a fonte de inspiração da cultura e quanto mais dinâmica for essa relação mais a cultura em todas as suas vertentes sairá a ganhar!