Do Pedro Lomba no Público. «Qual a razão para os jornais e as televisões domésticas estarem cheios de políticos em funções, deputados, antigos ministros, fazendo o papel de comentadores interessados, de jogadores e árbitros ou de pretensos observadores externos de um meio em que os próprios estão ou acabaram de estar profissionalmente envolvidos?
3 comentários:
Sociologicamente isso está estudado há muito tempo: o espaço público (a Ágora) já não é o hemiciclo, que se afastou dos cidadãos por força do jargão e dos seus próprios regulamentos labirínticos, e neste momento coincide com o espaço mediático das televisões.
Desde que as tvs e jornais começaram a divulgar e premiar a mediocridade que as pessoas mais competentes fugiram destes órgãos, deixando espaço aos tudólogos " incultos e analfabetos que enxamearam e enxameiam a política.
Neste momento, apenas impera a vaidade pessoal e o apoio específico de compadres e compadrio do mais básico e descarado, que é apanágio do chico-espertismo " bem português.
Tal tendência é secular e até feudal- há os senhores e os seus súbditos, de vez em quando, lá aparece um Bobo, o único a quem é permitido dizer a Verdade, perante a qual os súbditos, invcluindo os servos da gleba, se riem muito, pois encaram-no como um tolinho, quando Erasmo et alii bem perscrutaram o que está por detrás do provérbio latino polissémico :) "in vino veritas", pois o vocábulo vinho, não tomado à letra, está muito associado ao seu Elogio da Loucura, não aquela dos que se evadiram totalmente deste mundo (por vezes, os mais felizes, sem dúvida alguma, se não tiverem momentos de lucidez, pois neste mundo imundo, vale mais acreditar que se está num prado a correr com fadas e duendes! ), mas aqueles a cuja lucidez (étimo = lux, lucis = luz:) chamam os patetas loucura! Há tantos exemplos seculares, neste país tendencialmente medíocre, onde a excelência sempre foi admoestada: Luís Vaz de Camões, Padre António Vieira et alii...Este é o país que sacraliza a mediocridade, esta é uma sociedade doente, solo fértil para a a sacralização das sombras da caverna de Platão!
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