11.4.12

Uma figura



O meu amigo Júlio de Magalhães recorda aqui o nascimento de António de Spínola. Em 1980, precisamente por ocasião dos 70 anos do então General e dos seis do "25 de Abril", os Reformadores (na altura integravam a bancada da Aliança Democrática no Parlamento) propuseram ao Presidente Eanes que Spínola - o primeiro Chefe do Estado da democracia - fosse promovido a Marechal. Medeiros Ferreira combinou comigo, ao telefone (fixo), a redacção do comunicado dos Reformadores com a dita proposta. Ele ia sair do país e acabei por manuscrever sozinho o dito comunicado que seguiu o seu caminho. Spínola é um grande nome da arma de Cavalaria ao lado de D. Carlos ou Carmona como o atesta o nobre edifício do Regimento de Lanceiros na Ajuda. Nenhum país subsiste sem símbolos. A rapidez com que agora tudo e todos passam, na maior das vulgaridades, não chega para reter grandes nomes quanto mais grandes símbolos. Com toda a carga de virtudes e defeitos que António de Spínola tinha, era, sem dúvida, uma figura. Não há mais disto.

4 comentários:

ex Soldado disse...

Neste seu livro

http://livrarialumiere.blogspot.pt/2011/02/arriaga-kaulza-de-guerra-e-politica.html

o General Kaulza de Arriaga faz referencia a um almoço de oficiais generais ocorrido em Lisboa pouco antes do 25 de Abril, no qual se discutiram formas possiveis de os oficiais generais pressionarem o poder politico então vigente a alterar o rumo que as coisas vinham seguindo. Segundo Kaulza de Arriaga, Spinola ter-se-á mostrado nesse almoço pouco interessado em alinhar com os restantes Generais em pressões ao poder politico, tendo-se saído com a frase "Quando quiser faço com a minha gente o meu 28 de Maio".
Viu-se o 28 de Maio que Spinola e a sua gente fizeram!
Pouco antes de morrer, numa das ultimas declarações publicas que fez resolveu declarar na TV, como frase a ficar para a posteridade: "Considero completamente cumpridos todos os objectivos do 25 de Abril"!....Assim, sem mais!
Teve uma boa carreira militar antes do 25 de Abril, mas estragou tudo com o seu comportamento a partir do 25 de Abri e nos tempos que o precederaml. Em termos de homenagem, no máximo, que fique um retrato seu pendurado no Colégio Militar....

ex Soldado disse...

Não sei se coloquei o link do livro do General Kaulza:

http://livrarialumiere.blogspot.pt/2011/02/arriaga-kaulza-de-guerra-e-politica.html

domedioorienteeafins.blogspot.com disse...

Como se diz neste post , o marechal Spínola, tendo-se tornado um símbolo nacional, é também uma das grandes figuras da arma de Cavalaria. Tive ocasião de almoçar algumas vezes no Regimento de Lanceiros da Ajuda, de tão nobres e autênticas tradições, quando um amigo meu foi comandante da unidade. Pude observar então, na sala de jantar, os quadros do rei D. Carlos e do marechal Carmona, outros ilustres oficiais dessa arma.

Desconhecido ALfacinha disse...


Não esqueça também o que se passou no 25 de Novembro no seu Nobre edifício (obrigado Sr. Major Tomé!), aonde quem realmente e sempre resolveu estas questões veio por tal a perder 2 vidas. Sim 2 mortos, reais, nada daquilo do que viu em Tavira no seu CEOM.

Já agora, relembro-lhe as palavras do Pinheiro de Azevedo sobre o seu nobre Regimento nessa altura: Primeiro fazem-se plenários, depois comprem-se as ordens.

E é melhor ficar-se por aqui.