
Ontem, num canal francês de televisão, os dois finalistas das presidenciais do dia 6 de Maio apareceram sucessivamente para responder a vários jornalistas. O "modelo" do debate devia ser estudado pelas nossas televisões - renovação permanente dos intervenientes, perguntas bem preparadas, "ideias fortes". Já na noite de domingo, na primeira volta, a coisa tinha sido assim: estimulante, viva, sem cansaço ou interregnos idiotas. Por cá é quase sempre a mesma pobreza franciscana, com os mesmos de sempre a dizer as mesmas coisas de sempre. Democracia em que o debate político é medíocre é uma democracia coxa. Ora os franceses, por pouco que se aprecie, ainda hoje colocam a política pura em nobres alturas, desde os protagonistas aos jornalistas. Como afirmou uma delas, Sarkozy "desceu" de presidente a candidato enquanto Hollande, a cada dia que passa, "cresce" de candidato para presidente. E isso foi muito claro no programa dirigido por Daniel Poujadas. Adianta pouco agora aos maus conselheiros de Sarkozy recordar-lhe o confronto entre o então incumbente Mitterrand e o seu primeiro-ministro Chirac, na segunda volta de 1988. Mitterrand nunca abandonou o pedestal de presidente da República e manteve sempre Chirac, e tudo o mais, à distância. Sarkozy, acossado, tratou mal os jornalistas que o olhavam não como chefe de Estado que une mas como um arrivista insolente, com a cabeça meio perdida, que divide. Hollande será o próximo PR francês mais apesar dele do que por causa dele próprio. E a Sarkozy, entre outros, o fica dever.
5 comentários:
Atentado em Camarate - A confissão! Eclusivo escrito!!!
http://resistencia06.blogspot.pt/2012/04/atentado-camarate-confissao-exclusivo.html
Respeitinho, Dr. Gonçalves. Hollande foi casado com Ségolene e você não.
"É preciso caçar o urso antes de lhe vender a pele", diz um antigo ditado chinês cheio de sabedoria.
Sarkozy pode ser tudo o que quiserem , mas já o conhecemos, e temos de admitir que aprendeu com os erros.
O que François Hollande defende para a França e para a Europa, é o caminho mais rapido para o desastre, porque a França não é a Irlanda, Portugal e muito menos a Grecia. E não sou só eu, que sei pouco, que o digo; basta ler a Economist de hoje, porque vem lá tudo.
Interessante, um debate na TV5 24H, a forma como Holande se apresentou, surpreendeu pela negativa os quatro jornalistas que, sem papas na língua afirmaram que o que se passa não é normal, embalado pelas sondagens Holande e o PS parece esperarem sentados no sofá o dia das eleições. Quanto à imprensa escrita, Holande é indeciso, e patinou na questão da imigração, Afganistão e dívida pública. Eu vi e, realmente parece o Sócrates português, pagar a dívida? nem pensar!!!! Outro jornalista escrevia hoje que esta campanha era apenas duas questões, comparar Sarko aos kadaphys deste mundo e trucidá-lo e para onde vão ops votos da extrema direita. Já agora aconselho-o a ver a capa do Economist de sábado, amanhã, elucidativo. Eu espero que Holande ganhe, falaremos depois..., algum dia a França caviar tem de aprender......
Apetece-me replicar para Portugal. O problema é que não tivemos um Sr. Hollande! E face à probeza franciscana, o actual PR lá foi reeleito (mal menor).
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