De Manuel Maria Carrilho, E agora? Por uma nova república, Sextante Editora, 2010:
«É preciso ter mundo, ver longe e ouvir perto: o momentum será, nos próximos tempos, de quem compreender isto. E de quem, depois de o compreender, seja capaz de avançar na linha das sua consequências. É este, a meu ver, o caminho que nos poupará ao dilema entorpecedor que comprometerá os resultados alcançados e tornará ainda mais problemático o futuro do País.»
«O valor do silêncio decorre de três características centrais: ele estimula a prudência, contorna os compromissos e diminui os riscos.»
«Se o reformismo é - e é de facto - uma arte muito difícil, ele tem contudo um segredo. E esse segredo está em conseguir construir ao mesmo tempo o que se destrói, e sobretudo em combinar o imediato e o longo prazo, o local e global, a atenção ao detalhe e a audácia da visão.»
Da longa e inteligente entrevista de José Medeiros Ferreira ao Jornal de Negócios (Weekend, 5.4.12), com Anabela Mota Ribeiro:
«Vivemos numa república de financeiros e jornalistas (com a privatização dos grandes meios de comunicação social) de 1992 por diante. (...) Nos últimos dez anos, Portugal não cresceu. Não cresceu mas fizeram-se muitos negócios. É quase a república dos negócios!»
«Durão Barroso será o candidato presidencial do PSD. (...) O Marcelo Rebelo de Sousa já não sai do estúdio de televisão. Ele não sabia, mas quando entrou, a porta fechou-se para sempre. O destino dele é a televisão. Outro candidato que pode correr por fora e obrigar a uma negociação: Santana Lopes.»
«Tenho um grande amigo, Vasco Pulido Valente (nem sempre estou de acordo com ele),que dizia para terem cuidado comigo... que eu até no duche pensava em termos políticos!»
De um artigo de Paulo Trigo Pereira no Público (8.4.12):
«Se o PS quer construir-se como alternativa deverá saber onde deve cooperar com o Governo e onde afirma a sua diferença.»
Nota: Dir-se-á que são só autores de "esquerda". Serão. Todavia, por mais que procure com a lanterna de Diógenes na mão, em pleno dia, não consigo encontrar um autor de "direita". Não que eles não existam pelo menos na cabeça deles. Mas, em geral, os que costumamos ver, ouvir e ler não me interessam para nada. Ou, o que é pior, fazem parte do vasto clube da "direita amiguinha" (de uma determinada tralha específica que se desenvolveu na última meia dúzia de anos) que impressiona muita gente mas que a mim não impressiona nada. No fundo, e para recorrer a termos de outro autor de "esquerda", trata-se da mera "ascensão da insignificância" e isso não é bom nem para entreter criancinhas no recreio.
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