
Pela autora de A Roda sou levado a Vargas Llosa. Um pouco por todo o lado, e à conta da crise, assiste-se ao declinar da cultura que, para "facilitar", foi tomada de assalto pelo entretenimento e, nas palavras de Llosa, pela frivolidade. Não devia ser assim. A própria "Europa", através da Comissão, por exemplo, tem chamado a atenção (e muitos estudos internacionais o sublinham) para a importância da cultura no PIB, na economia, na promoção do emprego, na competitividade, na coesão social e, até, no empreendedorismo. Em suma, como um activo, cerne do desenvolvimento humano e da civilização, num mundo imaterial baseado no conhecimento, como a vê (e bem) a Comissão do dr. Barroso. É pena que a Europa do "eixo Merkel/Sarkozy" - tão emblematicamente representado pelo "tratado orçamental" que é uma espécie de versão kitsch do "e tudo o vento levou" - não perceba, ou não queira perceber, esta evidência e se dedique quase em exclusvo à "cultura" unidimensional da pura contabilidade. «Yo creo que sería una tragedia que justamente en una época en que hay un progreso tecnológico, científico, material extraordinario, al mismo tiempo, la cultura vaya a convertirse en un puro entretenimiento, en algo superficial, dejando un vacío que nada puede llenar, porque nada puede reemplazar a la cultura en dar un sentido más profundo, trascendente, espiritual a la vida.» Eu também.
8 comentários:
entrevista, acerca deste tema, elaborada com mais substância, está no suplemento cultural do ABC do fim de semana passado, onde Vargas desvela com bastante profundidade este tema, confirmando o seu desprezo pela esquerda romântica, mas enfim a Portugal as noticias chegam-nos sempre uma semana atrasada e pelos jornais da "sinistra" romântica.
caso pretenda posso envia-lhe a entrevista digitalizada, uma vez que o único jornal que adquiro é o ABC.
Luís
Muito obrigado, Luís. Envie então sff.
Parabéns pelo novo look. Muito apelativo. Bam haja pelo bom gosto.
Samuel
Um dia, hei-de entender a relação, aparentemente proporcional directa, entre cultura e impostos.
São os livros que ninguém quer ler e/ou os filmes que ninguém quer ver?
É o prazer de gastar o dinheiro dos outros em projectos nossos ou do nosso grupo de interesses (naturalmente para benefício da populaça ignorante)?
Há novidades.
Está tudo teso à conta de se gastar o dinheiro dos outros em projectos para aumentar o PIB.
Mas fala de questōes de cultura europeia de um país que dedica tempos e energias a adoptar a ortografia de um país estrangeiro?
Quer maior crime e maior frivolidade?
E este governo não prossegue nela?
Comecemos em casa.
Há muito que isto se tornou uma evidência e só os distraídos ou os embotados de espírito de tal ainda se não deram conta.
Falar de Cultura em Portugal deve ser o nome de revista do Parque Mayer.
Só para falar em Lisboa:
DESTRUIÇÃO DAS TERACENAS REAIS JUNTO AO RIO
DESTRUIÇÃO DA RAMPA DE EMBARQUE QUINHENTISTA ENCONTRADA NA PRAÇA D.LUÍS
DOAÇÃO DA CASA DOS BICOS A PILAR DEL RIO
O ESTADO CALAMITOSO DO TERREIRO DO PAÇO, ACRESCIDO DE OBRAS COM BURACOS PROFUNDOS PARA COLOCAR CHAPÉUS DE SOL PERMANENTES
E PORQUE VISITEI O CONVENTO DO CARMO COMO DEVE SER!!, A GRANDE VERGONHA NACIONAL QUE É O LARGO DO CARMO. O COSTA JÁ TEM O PROJECTO PRONTO PARA INSTALAR ESPLANADAS NAS TRASEIRAS DO CONVENTO. ORA ESTE CONVENTO CONSERVA UMA PARTE MEDIEVAL DO TEMPO DE S. NUNO LINDÍSSIMA, FIQUEI EMOCIONADA QUANDO VI!..........MISERÁVEIS!!!
E POR FIM O COSTA É A GRANDE APOSTA SOCIALISTA
A meu ver, "tudo é cultura nada é cultura, é uma questão de dose"- as origens do Teatro são populares; o romance moderno emergiu da dessacralização das personagens, da afirmação do homem comum; grandes peças de ópera inspiraram-se em histórias prosaicas; a Vida é a fonte de inspiração da cultura e quanto mais dinâmica for essa relação mais a cultura em todas as suas vertentes sairá a ganhar!
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