O dr. Passos usou expectavelmente o calçadão de Quarteira para dar início à sua campanha eleitoral. Jurou pela "ética", pelo "nojo" em relação à promiscuidade entre a política e "os negócios" e prometeu aos pensionistas não os voltar a maçar, pelo menos até às eleições, com a "reforma da segurança social" (como se tivesse produzido uma) já que os ditos cujos não podem estar sujeitos - disse ele sem se rir - a uma permanente "incerteza" (perpetrada por ele) jurídico-constitucional. Votou ao desprezo aquela "gente" (sic) que não o deixa "mudar" a pátria em paz e sossego o que presumivelmente deve incluir os juízes do TC, a oposição e os "velhos do Restelo" (esta é do Marco António) que teimam em não enxergar a beatitude salvífica do exercício geral. Um editorial viu nestas facécias um Passos "desistente". É não entender uma molécula da peça. Como passava a vida a dizer um seu antigo muito próximo colaborador (e, em certa medida, "criador"), "só recuo para ganhar balanço". Ora o dr. Passos é desta "escola" em refinado. Se sugeriu, pela enésima vez, um "acordo" ao PS sobre a segurança social antes das eleições, é porque sabe que não o vai ter e que pode explorar isso a seu crédito. Se sossega os reformados, e outras espécies que não "contribuem" para a "mudança", é porque algures arranjará uma via "indirecta" para "aquela gente" que o atrapalha não julgar que ele brinca em serviço ou em eleições. Tudo isto pode ser lido, por exemplo, no Portugal Contemporâneo, do Oliveira Martins, com as devidas adaptações: não há militares com "aspirações" (aliás, não há militares), os "pares" do "reino" são outros, embora não menos rapaces e analfabetos, e a presunção redentora do "chefe" provisório é idêntica. Para o ano há mais.
foto LUÍS FORRA/LUSA
2 comentários:
"Com uma frase,ganhou votos junto dos pensionistas"!
Há muito papalvo em Portugal que acredita no chapelinho das feiras,no protector dos grisalhos etc.É um facto,infelizmente,mas ,esta de ganhar votos junto dos pensionistas, é demais.Algum aposentado,com uma nesga de instrução e de juízo,voltará a acreditar nestes dois senhores? Não pode! Não sei a que propósito o editorialista trouxe esta à sua edição?
Subimos ao cimo do monte e deixamo-nos encantar pelas palavras: "dar-te-ei tudo o que a tua vista alcança se me adorares". No tal pontal a desfaçatez era enorme e a perfídia trespassava a nova com força das luzes sobre o vaidoso.
Agora só temos o que merecemos até à hora do arrependimento.
Nessa hora devemos fazer um acto de contrição e escolher o caminho das pedras com os homens e mulheres justos.
Claro, o perigo de um novo demónios é grande. Por isso estejamos vigilantes
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