29.8.14

Dignidade


 


Cruzei-me com Judite de Sousa, no princípio dos anos 90, numa "passagem de ano" em casa de Manuela Moura Guedes e de José Eduardo Moniz. Moura Guedes tinha nessa altura um programa na RTP no qual uma amiga minha, a jornalista Ana Pereira da Silva, colaborava. Ela estava sozinha depois de uma separação recente, e eu sou sozinho por natureza, pelo que a gentileza da dona da casa e a amizade da Ana juntaram-nos ali por um acaso de inesperadas horas. De Judite de Sousa retive imagens de alegria, de jovialidade e de muita simpatia. Passaram mais de vinte anos e voltei a cruzar-me com a directora adjunta da informação da TVI quando o então ministro Miguel Relvas foi a Queluz para uma entrevista. De resto, limito-me a observar o seu trabalho que, agora, regressou acompanhado de uma dor impronunciável. Comoveu-me a dignidade profissional demonstrada neste regresso. Porque entrevi no olhar e nos gestos de Judite a alegria, hoje devastada pelo luto do amor, daquela longínqua passagem de ano. Todo o amor é luto do amor como escreveu Marguerite Duras. É esse amor, Judite, que "salva".

1 comentário:

fado alexandrino disse...

Eu sei o que ela sofre, perdi um filho também num acidente.
Não posso concordar com a maneira como regressou, tresanda a estratégia comercial.
Uma entrevista (*) a quem nada tem de importante para dizer mas que atrairá milhões, em fascículos?
Devia ter regressado ao seu trabalho natural, naturalmente.
Peço desculpa se incomodo, é a minha opinião.


(*) Não vi e não tenciono ver.