1. Quando soube da criação da Cresap, escrevi um post que me valeu, na altura, uma admoestação de quem de direito. De vez em quando noto que o seu presidente concede entrevistas e que (reconheço-o sem problemas até por causa do dito post), nessas entrevistas e em alguns casos concretos que vieram a público, tem sido intelectualmente honesto quanto ao "desenvolvimento" do seu trabalho. Por isso, e por causa dos "procedimentos", não me surpreende que apareçam coisas como estas. Na abertura do último congresso do PSD, em 2012, o seu presidente e primeiro-ministro insistiu muito na "tecla" da "independência" na escolha de altos dirigentes da administração pública e derivados pela circunstância de essa escolha estar nas mãos de um "independente". Mais de um ano depois desta estranha insistência louvaminheira, procurei saber de quem é que tinha partido a "ideia" da Cresap. Pela resposta, percebi que teria sido uma "imposição" politicamente correcta do tão amado "arco da governabilidade", muito antes do extraordinário "acordo" do dr. Seguro para a "reforma do IRC". Se calhar, porém, agora se não há "consensos" para umas coisas, então o melhor mesmo é não haver para outras. E, daí, isto. Vivemos tempos do Diabo.
2. «Quando verificamos que na própria Europa a pobreza se dissemina como um vírus, percebemos que hoje não faz sentido falar de "Terceiro Mundo", porque esse é o único mundo que existe...O relatório conta-nos que 85 super-ricos possuem a riqueza correspondente à da metade mais pobre da população mundial. Isso responde à pergunta formulada por Almeida Garrett em 1846, nas Viagens na Minha Terra: "E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" Em 2014, um super-rico custa a miséria de 41 176 000 infelizes...» Vivemos tempos do Diabo.
3. «Não vale a pena haver ilusões sobre a existência de margens ou não margens.» Vivemos tempos do Diabo.
4. «As yields das Obrigações do Tesouro (OT) no prazo a 10 anos voltaram a subir acima dos 5% no mercado secundário. A linha foi ultrapassada às 16h, segundo dados da Investing.com. Ontem tinham fechado em 4,89%.» Vivemos tempos do Diabo.
5. O prof. Crato persiste ministro. Vivemos tempos do Diabo.
1 comentário:
A Fundação Rockefeller, há uns anos, lançou um relatório muito interessante. Li com atenção e retive várias previsões. Afirma o dito relatório que em 2030 não haverá países pobres nem ricos, embora África continue um continente de doença, miséria e guerra. A igualdade entre ricos e pobres não virá pelo desenvolvimento da Ásia ou da América Latina, mas sim pelo empobrecimento do Ocidente. Há vários anos que está em marcha uma transferência maciça de riqueza do Ocidente para o resto do planeta. Como dizia Fernando Pessoa, para o poder financeiro não há pátria. No mundo globalizado, as elites financeiras não se preocupam com o fim da classe média ocidental: pois no resto do mundo uma nova classe média emerge, com tiques de novo-riquismo e disposta a consumir os novos produtos da moda. Na Europa, o poder político ignora este destino, exposto aliás noutros documentos, mormente de grupos de pensadores do Reino Unido: país que, apesar de tudo, tem elites políticas que preparam um futuro para a nação distinto daquele que espera a Europa Continental. Se nada for feito para travar o empobrecimento ocidental, corre-se o risco do regresso do temido fascismo, e de outras formas de nacionalismo e de totalitarismo: e o crescimento da extrema-direita em França, Hungria ou Grécia são os primeiros sinais de uma possível mudança. Curiosamente, antecipando os tempos que se avizinham, o mundo da moda e da fotografia retrata cada vez mais imagens de mendicidade, imagética fascista, trans-humanismo, guerra, corpos estropiados, desumanização, revoltas civis. É o caso de trabalhos recentes de Bell Soto ou Steven Klein. Somos governados por homens sem cultura humanista. O Coração deve equilibrar a Razão: e eles não têm nem uma coisa, nem a outra.
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