Crato constará do rodapé da "história" deste governo sobretudo como alguém que ajudou a derrubar um colega seu à conta de um "relatório" do qual nunca mais se ouviu falar. De resto, como ministro da educação e ciência é um logro e um figurante que aprecia arrastar-se atrás dos que vão à frente dele: o primeiro-ministro, por natureza, e um ou outro ministro por irrelevância (ainda hoje ornamentou uma mesinha ao lado do "empreendedor" dr. Lima). E, como professor universitário, presumo que não mereça a menor consideração da "comunidade académica", da que existe ou da por vir. Com ele, aliás, corre o sério risco de não vir de todo.
2 comentários:
Pobre Crato. Era um bom tipo quando aparecia lá por casa, muito "Voz do Povo", muito UDP, fazendo-nos parecer de direita, nós que tinhamos um discurso muito 5ª Divisão, nada de Otelos nem Vascos Lourenços.
Agora será rodapé, se o papel for A4, porque se for menor, fica fora da mancha, a fazer conmpanhia a esse grande destruidor de estabelecimentos de ensino superior que anda perdido pela Europa.
Nesta semana, mais um jovem se suicidou por não suportar as sevícias, a humilhação que sofria na escola que frequentava. Não o conheci, como não conheci o pequeno Leandro, cujo rosto triste e assustado me perseguiu durante muito tempo. Como pode uma criança preferir um mergulho fatal nas águas frias e caudalosas dum rio do norte à frequência da sua escola? Mas conheço bem demais a indiferença que vai grassando nos adultos, a crueldade inominável na expressão de chacal de tantos (demasiados) jovens, o medo e vergonha de quem é perseguido, humilhado, maltratado no local onde a sua protecção deveria ser prioridade. Não é! As prioridades são as aparências que é preciso manter "para fora", a"boa gestão" financeira. Vejo mais preocupação com uma cadeira inadvertidamente quebrada em sala de aula do que com uma alma jovem partida para sempre. Se a nossa cara fosse uma folha de excel, talvez nos tratassem melhor.Tenho de perguntar: são isto escolas? é isto um país? até quando será tão barata a vida humana?
Há dias, no telejornal da SIC, tive de esperar 45 minutos para ter a primeira notícia não "desportiva". Foi a bola de ouro dum, o Panteão para o outro e ainda uns pozinhos de qualquer coisa no Benfica. Os heróis portugueses são agora os heróis não do mar , mas da chuteira e o fanatismo é cultivado com esmero, num mundo futebolesco de brutalidade, fisicalidade, claques animalescas, insultos e palavrões como vocabulário. Que gente se pretende gerar com estas atitudes, com estas escolhas? Peço desculpa, mas estou em vias de me envergonhar de ser portuguesa!
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