O jornalista Mário Crespo recebeu no seu Jornal da 9 o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães. Quando Maçães apareceu no novo governo de Passos Coelho, procurei "resumi-lo". Reconheci tratar-se de uma das melhores cabeças da sua geração universitária, um ironista e um experimentalista promissor que, entre outras coisas em que participou (fez aliás questão de frisar a Crespo essa "participação"), se encontra a "tentativa TSU" de Setembro de 2012 que tanto sucesso trouxe ao Governo de então onde ele era ainda apenas assessor "ideológico" do primeiro-ministro. Confrontado pelo jornalista com a "realidade" da consolidação orçamental e dos seus resultados - sobretudo com a violência dos cortes selectivos sobre determinados grupos sociais e laborais, com a canga fiscal que, só sobre as pessoas, aumentou em um ano 35,5% ou com o esbulhar "solidário" e progressivo das pensões -, quando subsistem segmentos inexplicáveis de despesa pública "interna" e "paralela" por atacar, Maçães falou, e passo a citar, de uma "revolução tranquila" prosseguida pelo dr. Passos que terá encontrado lastro em exemplos de "nova normalidade" como a Coreia do Sul, a Indonésia e a América Latina. Crespo bem tentou que o governante descodificasse tamanha "revolução" e a opacidade com que ela costuma ser descrita pelos seus plumitivos, mas Maçães vive "muito adiante" deste país que, afinal, não se sabe bem de quem ou para quem é. E não se trata de uma pergunta ou afirmação retóricas. No mesmo dia soube-se que o governo tenciona, acolitado na falácia do "mérito" (entre nós, há muito que o "mérito" quer normalmente dizer carreirismo subserviente), promover a avaliação do desempenho a primeiro critério para despedir e extinguir postos de trabalho. É a "revolução tranquila" de Maçães, um homem que confessou ter beneficado de uma coisa "boa" como a bolsa da FCT que o ajudou a estudar ciência política em Harvard. Contrariamente ao que sugere um título de um livro "politicamente correcto" lançado agora por dois estimáveis "camaradas" da Voz do Povo dos idos de 75 que se converteram ao originalíssimo "liberalismo" português (afinal com inspirações sul-coreanas e latino-americanas mais do que provenientes do adorado norte europeu), este país não será para novos mas não é de todo para velhos ou a caminhar para lá. Como me interessa sobremaneira o presente que contém, como sempre conteve, passado e futuro nele senão não existia (e por mais que o Mário Crespo, e outros, faça as perguntas certas a pessoas que estão deliberadamente erradas), este país, afinal, é para quem?
3 comentários:
Só quem nunca foi avaliado é que pode ter proposto isto. Uma avaliação é, muitas vezes, algo mais subjectivo do que objectivo. E neste país o amiguismo, o compadrio e o lambe-botismo às vezes contam mais que o mérito. Mas esta gente é que é inteligente....
Meu caríssimo João, Entre ficar tudo como dantes, a mediocridade e o imobilismo habitual de antes, a irreformabilidade do Estado e da Economia de antes, as falências sucessivas do Estado Português de antes, a contemporização complacente connosco mesmos imóveis, entre as coisas más de antes e de sempre, entre isso e a aparente guilhotina impessoal exigente de Bruno Maçães, eu prefiro a aparente guilhotina imberbe e inexperiente de Bruno Maçães. Estou cansado de que este País seja só para pachecos, para freitas, alegres e soares. É suposto que este País seja para todos. Para isso é preciso fazer o que é preciso fazer. Costa pode sorrir como um Buda. O que é preciso fazer não rende votos, mas garante Futuro.
Cada um dos gestores dos 40 top Hedge Funds ganha tanto como 75 mil professores:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2014/01/29/hedgies-versus-teachers/?module=BlogPostTitle&version=Blog%20Main&contentCollection=Opinion&action=Click&pgtype=Blogs®ion=Body
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