
«Na primeira década do século XX, o humorista vienense Karl Kraus criticou mordazmente os jornalistas que, a despeito das suas pretensões, evidenciam uma tendência para minar a democracia, em vez de a proteger. Como é preciso encher páginas e vender jornais, estes são uma torrente interminável de banalidades, sensacionalismos e disparates.»...«Não só os mass media são a melhor escola para os demagogos, como estes retiram o seu poder do facto de o povo, à força de se alimentar de uma linguagem que mais não faz do que simplificar, não compreender mais nada, nem querer ler ou ouvir coisas diferentes.»...«O homem moderno necessita de ruído, de excitação constante, quer satisfazer as suas necessidades. Como nos tornámos cada vez mais insensíveis, necessitamos de métodos mais grosseiros de satisfazer a nossa ânsia de estimulação. Tornámo-nos dependentes dos acontecimentos. Se nada acontece, sentimo-nos vazios. "Os jornais não trazem nada", comentamos desapontados. Fomos intoxicados pela ideia de que tem de acontecer alguma coisa, estamos obcecados com a velocidade e a quantidade. Um barco nunca é grande demais, nem um automóvel ou avião suficientemente rápidos.»...«Vivemos passivamente. Submetemo-nos aos telefones, ao nosso trabalho, à moda. A vida torna-se cada vez mais uniforme. O aspecto, o carácter, tudo tem de se parecer com tudo o resto, e a média tende sempre a nivelar-se pelo mais baixo. Uma das características mais chocantes do mundo contemporâneo é a sua superficialidade»
Rob Riemen, O Eterno Retorno do Fascismo, Bizâncio (via Do Médio Oriente e afins)
4 comentários:
Deixem a cidade; venham viver para o campo.
o enorme problema europeu é civilizacional
só interessa o que é material
esqueceram a espiritualidade seja ela qual for.
surgiu toda a série de lixo humano.
do prometido bem-estar vão a caminho da miséria e de outro tipo de socialismo que não é o do sr. segolène
Por isso é que eu falei no campo. Se pensarmos que uma cidade não passa de casas, escritórios e lojas, verificamos que o campo tem o resto: paisagem, árvores, rios e tudo o mais que nos devolve à espiritualidade mais antiga e mais nobre - a pagã. Uma coisa muito mais profunda que felizmente não há religião instituída que consiga apagar (eles bem tentam, essa padralhada que anda por aí). Aliás, as religiões do médio oriente são perfeitamente brutas na relação do homem com o espaço - basta ver o que produzem esteticamente. Remetem tudo para a Palavra, como se a Palavra tivesse algum valor, algum crédito. Não tem.
Também ajuda muito o endeusamento de figuras providenciais, sem uma análise saudavelmente crítica sobre a sua obra, em detrimento dos actuais.
É como dizer que a infância foi um mar de rosas, e esquecer os espinhos que as acompanham.
Mas principalmente não educar, e não explicar o porquê das medidas que se tomam, para não perderem a eficácia ...
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