23.7.11

CALMA DE MORTE


Os países do norte da Europa têm a fama (e algum proveito) de serem calmos. Por isso é-lhes díficil entender que o inimigo possa ser um dos seus. A "calma" com que foram eliminados Olaf Palme, a ministra dos negócios estrangeiros sueca ou um líder partidário holandês, por exemplo, destoa dos lugares-comuns sobre a "normalidade". Há pouco, o correspondente da RTP falava do homicida norueguês como uma "pessoa normal", aparentemente em contraponto a que seria expectável que o ataque viesse do terrorismo islâmico. A Europa dos nacionalismos doentios nunca faleceu. Da mesma forma que o cosmopolitismo - coisa distinta da demagogia "multicultural" - custa a entrar em muitas cabeças aparentemente perfeitas, "normais" e "calmas". Há "calmas" que são de morte.

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