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4.11.10

CERCADOS PELOS NOSSOS ERROS E FRAQUEZAS

«(...) definição de um plano para a década, suficientemente sério, participado e consensualizado para poder tirar Portugal do abismo em que se encontra. "Sério, participado e consensualizado", quer dizer que esse plano deverá ser feito, para lá dos partidos, com a empenhada colaboração das universidades, dos sindicatos, dos empresários, recorrendo-se a todas as reservas da sociedade portuguesa, nomeadamente às qualificadas gerações mais jovens que temos hoje. Um plano que se inspire na "matriz das descobertas" que esteve na base da primeira globalização (como se lembra no Portugal, Pioneiro da Globalização, de J. N. Rodrigues e de T. Devezas), e consiga ligar o que tem de ser ligado: a visão da sociedade que se ambiciona, os valores em que se sustenta e os recursos (materiais e imateriais) de que se dispõe para a alcançar. E que institua o diálogo permanente entre todos os intervenientes, construindo um espaço de debate plural, de efectiva negociação e de inovadora convivialidade política na sociedade portuguesa. Estamos hoje cercados pelos nossos erros e pelas nossas fraquezas. Só um tal plano nos pode libertar deste cerco, dando-nos força e confiança colectivas. É esse o desafio que temos pela frente, ao lado do qual o Orçamento, por importante que seja, tem um carácter meramente episódico.»

CERCADOS PELOS NOSSOS ERROS E FRAQUEZAS

«(...) definição de um plano para a década, suficientemente sério, participado e consensualizado para poder tirar Portugal do abismo em que se encontra. "Sério, participado e consensualizado", quer dizer que esse plano deverá ser feito, para lá dos partidos, com a empenhada colaboração das universidades, dos sindicatos, dos empresários, recorrendo-se a todas as reservas da sociedade portuguesa, nomeadamente às qualificadas gerações mais jovens que temos hoje. Um plano que se inspire na "matriz das descobertas" que esteve na base da primeira globalização (como se lembra no Portugal, Pioneiro da Globalização, de J. N. Rodrigues e de T. Devezas), e consiga ligar o que tem de ser ligado: a visão da sociedade que se ambiciona, os valores em que se sustenta e os recursos (materiais e imateriais) de que se dispõe para a alcançar. E que institua o diálogo permanente entre todos os intervenientes, construindo um espaço de debate plural, de efectiva negociação e de inovadora convivialidade política na sociedade portuguesa. Estamos hoje cercados pelos nossos erros e pelas nossas fraquezas. Só um tal plano nos pode libertar deste cerco, dando-nos força e confiança colectivas. É esse o desafio que temos pela frente, ao lado do qual o Orçamento, por importante que seja, tem um carácter meramente episódico.»

10.8.09

DA PALHAÇADA À CRUA REALIDADE


«O episódio da bandeira monárquica hasteada no balcão principal do edifício dos Paços do Concelho de Lisboa é bem elucidativo de uma verdade muito simples: pelos vistos, naquela casa, hoje em dia, ninguém está onde devia estar. Este fim-de-semana ficou-se a saber que António Costa está de férias e, pelos vistos, todas as pessoas que actualmente trabalham nos Paços do Concelho. Independentemente das convicções monárquicas e republicanas de cada um - e nós temos o Partido Popular Monárquico na nossa coligação - o que se passou mostra bem como vai a Câmara Municipal de Lisboa... Nem sequer conseguem garantir a obrigação permanente de velar pela integridade do histórico edifício público que têm à sua guarda.»

Lisboa com sentido

DA PALHAÇADA À CRUA REALIDADE


«O episódio da bandeira monárquica hasteada no balcão principal do edifício dos Paços do Concelho de Lisboa é bem elucidativo de uma verdade muito simples: pelos vistos, naquela casa, hoje em dia, ninguém está onde devia estar. Este fim-de-semana ficou-se a saber que António Costa está de férias e, pelos vistos, todas as pessoas que actualmente trabalham nos Paços do Concelho. Independentemente das convicções monárquicas e republicanas de cada um - e nós temos o Partido Popular Monárquico na nossa coligação - o que se passou mostra bem como vai a Câmara Municipal de Lisboa... Nem sequer conseguem garantir a obrigação permanente de velar pela integridade do histórico edifício público que têm à sua guarda.»

Lisboa com sentido

OURIÇOS E RAPOSAS


A estação parva, quando lhe dá para ser parva a sério, é inimitável. À força de não haver mais nada a dizer ou a fazer - porque o famélico país preferiu esquecer aquilo que o PS lhe garante apenas nos cartazes da propaganda e foi a banhos até meter as criancinhas nas escolas e nos infantários à espera que se constipem para haver notícias - os meus amigos do 31 da Armada terão "restaurado" a monarquia nos Paços do Concelho, em Lisboa. Alguém colocou uma bandeira azul e branca na varanda da Praça do Munícipio porque sim, tipo "apanhados" contra o dr. Costa. O incumbente e, presume-se, Afonso, o ditador da 1ª República. Isto quer dizer duas coisas. A primeira, confirma o que já suspeitava. Que o dr. Costa não existe enquanto presidente de Câmara. A segunda, que não é por muito hastear tecidos azuis e brancos que a monarquia regressa. Não regressa. Apesar de tudo, uma nova república, presidencialista, será sempre preferível a quaisquer laços de sangue mais ou menos patrióticos. É que se "sai" um imbecil, não se pode tirar.


Adenda: Ainda no 31, há um post sobre galinhas e raposas a propósito de Ferreira Leite e do PSD. O post revela - como se ainda fosse preciso - a pobre cabeça do autor. Não tanto pelas analogias e citações como pela circunstância de comparar um dos ídolos políticos do dito autor - o "jovem" Passos Coelho e os seus prendados acólitos - a raposas. Teria sido melhor recorrer aos clássicos e à fábula de Arquiloco. Se calhar Ferreira Leite sabe uma coisa muito importante que estas desgraçadas "raposas" desconhecem. É só dar tempo ao tempo.


Adenda2: Nunca imaginei poder vir a fazer um link para o Luís Raínha. Mas, confesso, só o intervalo de riso que ele provocou no meu privativo deserto de Agosto, merece-o.

OURIÇOS E RAPOSAS


A estação parva, quando lhe dá para ser parva a sério, é inimitável. À força de não haver mais nada a dizer ou a fazer - porque o famélico país preferiu esquecer aquilo que o PS lhe garante apenas nos cartazes da propaganda e foi a banhos até meter as criancinhas nas escolas e nos infantários à espera que se constipem para haver notícias - os meus amigos do 31 da Armada terão "restaurado" a monarquia nos Paços do Concelho, em Lisboa. Alguém colocou uma bandeira azul e branca na varanda da Praça do Munícipio porque sim, tipo "apanhados" contra o dr. Costa. O incumbente e, presume-se, Afonso, o ditador da 1ª República. Isto quer dizer duas coisas. A primeira, confirma o que já suspeitava. Que o dr. Costa não existe enquanto presidente de Câmara. A segunda, que não é por muito hastear tecidos azuis e brancos que a monarquia regressa. Não regressa. Apesar de tudo, uma nova república, presidencialista, será sempre preferível a quaisquer laços de sangue mais ou menos patrióticos. É que se "sai" um imbecil, não se pode tirar.


Adenda: Ainda no 31, há um post sobre galinhas e raposas a propósito de Ferreira Leite e do PSD. O post revela - como se ainda fosse preciso - a pobre cabeça do autor. Não tanto pelas analogias e citações como pela circunstância de comparar um dos ídolos políticos do dito autor - o "jovem" Passos Coelho e os seus prendados acólitos - a raposas. Teria sido melhor recorrer aos clássicos e à fábula de Arquiloco. Se calhar Ferreira Leite sabe uma coisa muito importante que estas desgraçadas "raposas" desconhecem. É só dar tempo ao tempo.


Adenda2: Nunca imaginei poder vir a fazer um link para o Luís Raínha. Mas, confesso, só o intervalo de riso que ele provocou no meu privativo deserto de Agosto, merece-o.

30.1.08

O QUE TEM SIDO ISTO

«Em que assentaram então os regimes políticos anteriores ao actual? Todos se propuseram modernizar o país. Mas uns tentaram chegar aí reservando o poder a um pequeno grupo iluminado, com exclusão dos demais, e outros através do envolvimento consensual do maior número e da alternância no poder. A monarquia constitucional, entre 1834 e 1910, esteve neste segundo caso. Havia vários partidos, que rodavam no poder de acordo com o rei. O regime caiu porque não podia funcionar sem se pôr em causa a si próprio. Era o rei quem, perante o desprestígio das eleições, accionava a alternância. Mas quando o fazia era invariavelmente discutido e contestado por uma classe política sem reverência dinástica. Mesmo assim, o regime durou mais do que qualquer outro regime nos últimos 200 anos, e assegurou a mais longa época de liberdade e pluralismo. Eis o que representa D. Carlos. A chamada I República, entre 1910 e 1926, e o Estado Novo, até 1974, tiveram isto em comum: chefes de Estado eleitos (directa ou indirectamente) e governantes determinados em usar a força para impedir qualquer alternância no poder. O Partido Republicano não precisou, como Salazar, de censura nem de proibir partidos: preferiu recorrer à "acção directa" de grupos paramilitares, protegidos pelas autoridades, para limitar a expressão e a acção dos adversários (foi a célebre "ditadura da rua"). De resto, excluiu a população do processo político, negando o direito de voto à maioria. Houve republicanos e salazaristas que quiseram outra coisa? Houve. Fizeram coisas benéficas para o país? Fizeram. Mas nenhum dos dois regimes foi capaz de deixar de ser o despotismo de um bando convencido de que tinha o monopólio da razão. A construção da actual democracia em Portugal foi feita não apenas contra o Estado Novo, mas também contra a I República. Dependeu de uma nova cultura política, em que se admitiu o princípio de que a validade das eleições dependia mais das instituições e procedimentos do que das "qualidades" da população. Dependeu também de se ter voltado a reconhecer novamente, como no tempo da monarquia constitucional, que a razão é algo distribuído a mais de uma opinião ou partido. Obteve-se assim um regime aberto a todos, e em que o voto de todos é a base da alternância no poder.Os exclusivismos, porém, deixaram herdeiros frustrados. Há quem ainda não tenha percebido por que é que não é dono desta democracia, tal como o PRP foi dono da I República ou os salazaristas do Estado Novo. Eis o que representam os contestatários da comemoração de D. Carlos.»
Rui Ramos, in Público

O QUE TEM SIDO ISTO

«Em que assentaram então os regimes políticos anteriores ao actual? Todos se propuseram modernizar o país. Mas uns tentaram chegar aí reservando o poder a um pequeno grupo iluminado, com exclusão dos demais, e outros através do envolvimento consensual do maior número e da alternância no poder. A monarquia constitucional, entre 1834 e 1910, esteve neste segundo caso. Havia vários partidos, que rodavam no poder de acordo com o rei. O regime caiu porque não podia funcionar sem se pôr em causa a si próprio. Era o rei quem, perante o desprestígio das eleições, accionava a alternância. Mas quando o fazia era invariavelmente discutido e contestado por uma classe política sem reverência dinástica. Mesmo assim, o regime durou mais do que qualquer outro regime nos últimos 200 anos, e assegurou a mais longa época de liberdade e pluralismo. Eis o que representa D. Carlos. A chamada I República, entre 1910 e 1926, e o Estado Novo, até 1974, tiveram isto em comum: chefes de Estado eleitos (directa ou indirectamente) e governantes determinados em usar a força para impedir qualquer alternância no poder. O Partido Republicano não precisou, como Salazar, de censura nem de proibir partidos: preferiu recorrer à "acção directa" de grupos paramilitares, protegidos pelas autoridades, para limitar a expressão e a acção dos adversários (foi a célebre "ditadura da rua"). De resto, excluiu a população do processo político, negando o direito de voto à maioria. Houve republicanos e salazaristas que quiseram outra coisa? Houve. Fizeram coisas benéficas para o país? Fizeram. Mas nenhum dos dois regimes foi capaz de deixar de ser o despotismo de um bando convencido de que tinha o monopólio da razão. A construção da actual democracia em Portugal foi feita não apenas contra o Estado Novo, mas também contra a I República. Dependeu de uma nova cultura política, em que se admitiu o princípio de que a validade das eleições dependia mais das instituições e procedimentos do que das "qualidades" da população. Dependeu também de se ter voltado a reconhecer novamente, como no tempo da monarquia constitucional, que a razão é algo distribuído a mais de uma opinião ou partido. Obteve-se assim um regime aberto a todos, e em que o voto de todos é a base da alternância no poder.Os exclusivismos, porém, deixaram herdeiros frustrados. Há quem ainda não tenha percebido por que é que não é dono desta democracia, tal como o PRP foi dono da I República ou os salazaristas do Estado Novo. Eis o que representam os contestatários da comemoração de D. Carlos.»
Rui Ramos, in Público

3.11.07

RUI RIO E AUGUSTO M. SEABRA

Simpatizo politicamente com Rui Rio. Aprecio o seu germanismo, a forma pragmática como lida com as coisas. Deu-me gozo as derrotas que infligiu ao PS do Porto, uma seita corporativa da pior espécie. E a maneira como obrigou à normalização das relações entre a política e o futebol. Dito isto, fiquei satisfeito com a absolvição do Augusto M. Seabra pelo Tribunal da Relação do Porto depois do autarca portuense o ter processado por ter sido apelidado de "energúmeno" num artigo sobre o trambolho da Casa da Música. Os advogados da Câmara - e Rio - reagiram mal e pretendem recorrer com um argumentário idiota baseado na figura quase sagrada e institucional do presidente da Câmara. Pretender que existem vacas sagradas só porque são eleitas é um mau sistema. Nem as vacas são sagradas - não existe tal - nem a circunstância da eleição representa bondade de per si. O regime - do topo às juntas de freguesia - está prenhe de gente irrelevante, medíocre e esquecível que não o deixa de ser tal por ter sido eleita. Não é o caso de Rui Rio o que lhe confere maiores responsabilidades em não espremer esta teta seca. A liberdade de expressão, a crítica e a acrimónia fazem parte do pacote democrático. Da mesma maneira que saudei as vitórias de Rio - e muitas mais, nacionais ou outras, lhe desejo - também me regozijo com o acórdão da Relação do Porto, uma boa peça para esfregar na cara daqueles que, fazendo parte da "elite" do regime, se imaginam mais iguais do que os outros.

RUI RIO E AUGUSTO M. SEABRA

Simpatizo politicamente com Rui Rio. Aprecio o seu germanismo, a forma pragmática como lida com as coisas. Deu-me gozo as derrotas que infligiu ao PS do Porto, uma seita corporativa da pior espécie. E a maneira como obrigou à normalização das relações entre a política e o futebol. Dito isto, fiquei satisfeito com a absolvição do Augusto M. Seabra pelo Tribunal da Relação do Porto depois do autarca portuense o ter processado por ter sido apelidado de "energúmeno" num artigo sobre o trambolho da Casa da Música. Os advogados da Câmara - e Rio - reagiram mal e pretendem recorrer com um argumentário idiota baseado na figura quase sagrada e institucional do presidente da Câmara. Pretender que existem vacas sagradas só porque são eleitas é um mau sistema. Nem as vacas são sagradas - não existe tal - nem a circunstância da eleição representa bondade de per si. O regime - do topo às juntas de freguesia - está prenhe de gente irrelevante, medíocre e esquecível que não o deixa de ser tal por ter sido eleita. Não é o caso de Rui Rio o que lhe confere maiores responsabilidades em não espremer esta teta seca. A liberdade de expressão, a crítica e a acrimónia fazem parte do pacote democrático. Da mesma maneira que saudei as vitórias de Rio - e muitas mais, nacionais ou outras, lhe desejo - também me regozijo com o acórdão da Relação do Porto, uma boa peça para esfregar na cara daqueles que, fazendo parte da "elite" do regime, se imaginam mais iguais do que os outros.

14.8.07

CONDOMÍNIO

Convém andar atento ao que prega este evangelista. Aliás, o vereador Sá Fernandes deu uma entrevista ao DN em que, freudianamente, se viu na necessidade de varrer, em retórica, com o governo da CML. O evangelista vem agora dizer que o Bloco é uma coisa e o PS outra, que tem um programa e que não sei quê. Serão e terá. Acontece que, poder, há só um. E esse é do PS, de Sócrates a Costa. O Alfredo Marceneiro, quando lhe perguntavam pela vida, dizia sempre: "filho, fiz muita coisa por fora, mas voltei sempre para casa". Se em 2009 estiverem todos à rasca - uns porque vêem a absoluta mais longe, outros porque apreciam o fauteil em vez da reles cadeira de plástico - talvez haja, finalmente, condomínio, aquilo a que os antigos doutrinadores deles chamavam "a casa comum da esquerda". Como a única ideologia socrática é o poder, tanto se lhe dá. E o evangelista, assim como assim, já tem cara de quem engoliu uma vassoura.

CONDOMÍNIO

Convém andar atento ao que prega este evangelista. Aliás, o vereador Sá Fernandes deu uma entrevista ao DN em que, freudianamente, se viu na necessidade de varrer, em retórica, com o governo da CML. O evangelista vem agora dizer que o Bloco é uma coisa e o PS outra, que tem um programa e que não sei quê. Serão e terá. Acontece que, poder, há só um. E esse é do PS, de Sócrates a Costa. O Alfredo Marceneiro, quando lhe perguntavam pela vida, dizia sempre: "filho, fiz muita coisa por fora, mas voltei sempre para casa". Se em 2009 estiverem todos à rasca - uns porque vêem a absoluta mais longe, outros porque apreciam o fauteil em vez da reles cadeira de plástico - talvez haja, finalmente, condomínio, aquilo a que os antigos doutrinadores deles chamavam "a casa comum da esquerda". Como a única ideologia socrática é o poder, tanto se lhe dá. E o evangelista, assim como assim, já tem cara de quem engoliu uma vassoura.

22.7.07

O NEÓFITO

De um leitor, grande comentador e amigo "de guerra", o Rui, que ainda se dá ao trabalho de acompanhar o "pensamento" do dr. Júdice, o neófito da "esquerda moderna":

«A entrevista do Dr. Júdice à Dr. Margarida Marante no “Sol” de 21.07.2007 é a “Bíblia” do arrivismo e um autêntico “manual de sobrevivência” mascarado de grande frontalidade e independência.Uma conversa entre dois amigos de sempre, no Centro de Emprego, após receberem notícia de que tinham arranjado uns empregozinhos através do empenho do presidente da junta, não seria tão reles. O lambe-botismo da entrevistadora, na nota de rodapé, é rastejante e aviltante perante a isenção jornalística que lhe é exigível. Gosto especialmente da pose para a foto, pé em cima do ressalto da parede, ao lado duma estátua que se advinha fálica e os sapatinhos a precisarem de renovação. É a vidinha… Apenas gostei de uma profecia do mestre Alarcão Judice; parece que o PSD e o PP tendem a desaparecer e a ser substituídos por um grande partido de direita, onde, ele Júdice, considera não ter lugar. Óptimo, espero que muitos outros iguais ao Dr. Júdice, que pululam no PSD e no PP fujam para o PS, onde ficam entre iguais, para que possa aparecer definitivamente um novo partido mesmo de direita, com gente séria e ideologicamente honesta.»

O NEÓFITO

De um leitor, grande comentador e amigo "de guerra", o Rui, que ainda se dá ao trabalho de acompanhar o "pensamento" do dr. Júdice, o neófito da "esquerda moderna":

«A entrevista do Dr. Júdice à Dr. Margarida Marante no “Sol” de 21.07.2007 é a “Bíblia” do arrivismo e um autêntico “manual de sobrevivência” mascarado de grande frontalidade e independência.Uma conversa entre dois amigos de sempre, no Centro de Emprego, após receberem notícia de que tinham arranjado uns empregozinhos através do empenho do presidente da junta, não seria tão reles. O lambe-botismo da entrevistadora, na nota de rodapé, é rastejante e aviltante perante a isenção jornalística que lhe é exigível. Gosto especialmente da pose para a foto, pé em cima do ressalto da parede, ao lado duma estátua que se advinha fálica e os sapatinhos a precisarem de renovação. É a vidinha… Apenas gostei de uma profecia do mestre Alarcão Judice; parece que o PSD e o PP tendem a desaparecer e a ser substituídos por um grande partido de direita, onde, ele Júdice, considera não ter lugar. Óptimo, espero que muitos outros iguais ao Dr. Júdice, que pululam no PSD e no PP fujam para o PS, onde ficam entre iguais, para que possa aparecer definitivamente um novo partido mesmo de direita, com gente séria e ideologicamente honesta.»

20.7.07

DISTRACÇÕES

Um amável leitor chama a atenção para o artigo de José Miguel Júdice no Público. Acontece que eu deixei de ler o dr. Júdice há muito tempo tal como muitos outros distintos ornamentos da democracia. Aliás, e pela primeira vez de muitas, deixei de votar. Como aprendi com uma colega de liceu, só ligo a merda quando estou distraído. E raramente me distraio.

DISTRACÇÕES

Um amável leitor chama a atenção para o artigo de José Miguel Júdice no Público. Acontece que eu deixei de ler o dr. Júdice há muito tempo tal como muitos outros distintos ornamentos da democracia. Aliás, e pela primeira vez de muitas, deixei de votar. Como aprendi com uma colega de liceu, só ligo a merda quando estou distraído. E raramente me distraio.

16.7.07

LER OS OUTROS

Fora a parte final - estou-me nas tintas para a "esquerda" ou para o que passa por isso na actual plutocracia regimental -, dei por mim a concordar com o ABB. E, claro, com o Dragão, um rapaz mais da minha "criação".

LER OS OUTROS

Fora a parte final - estou-me nas tintas para a "esquerda" ou para o que passa por isso na actual plutocracia regimental -, dei por mim a concordar com o ABB. E, claro, com o Dragão, um rapaz mais da minha "criação".

6.7.07

SOBREAVISO


Sem se rir, e perante uma plateia, pequenina, dos empalhados do costume e de "notáveis" do partido e de outras dependências regimentais, o dr. António Costa, no Parque Mayer (acertou no local, porque o exercício tinha qualquer coisa de quadro de revista) pediu um "sobressalto cívico" o que, em linguagem PS, significa "dêem-me uma maioria absoluta". O dr. Costa, se bem se lembra, já deu mostras, bastante irritadas e irritantes, por sinal, do que gosta de fazer quando brinca às maiorias absolutas. O dr. Costa, que ainda há dias pareceu quase humano numa visita de campanha a uma escola básica, tem a mão leve para o autoritarismo quando de posse de uma situação de absolutismo democrático. O dr. Costa, em suma, tem um passado recente como ministro de Estado e "número 2" do regime que não o recomenda. O único sobressalto cívico que o dr. Costa deve esperar é que não se vote nele. O dr. Costa representa o pior destes dois anos de deriva absolutista, autista e convencida da sua excelência democrática. O dr. Costa, que é da minha geração, já é um Matusalém da política, do regime e do PS, e não tem, por causa dos antecedentes mais próximos, um pingo de autoridade para reclamar sobressaltos. Lá por estarmos em plena silly season, não queira o dr. Costa fazer os lisboetas mais silly do que eles já são. Sobressalto cívico, nas actuais circunstâncias, é ficar à beira-mar no dia 15 ou votar contra si, dr. Costa. O senhor lembra-nos o susto destes últimos anos. Só serve para nos pôr de sobreaviso.

SOBREAVISO


Sem se rir, e perante uma plateia, pequenina, dos empalhados do costume e de "notáveis" do partido e de outras dependências regimentais, o dr. António Costa, no Parque Mayer (acertou no local, porque o exercício tinha qualquer coisa de quadro de revista) pediu um "sobressalto cívico" o que, em linguagem PS, significa "dêem-me uma maioria absoluta". O dr. Costa, se bem se lembra, já deu mostras, bastante irritadas e irritantes, por sinal, do que gosta de fazer quando brinca às maiorias absolutas. O dr. Costa, que ainda há dias pareceu quase humano numa visita de campanha a uma escola básica, tem a mão leve para o autoritarismo quando de posse de uma situação de absolutismo democrático. O dr. Costa, em suma, tem um passado recente como ministro de Estado e "número 2" do regime que não o recomenda. O único sobressalto cívico que o dr. Costa deve esperar é que não se vote nele. O dr. Costa representa o pior destes dois anos de deriva absolutista, autista e convencida da sua excelência democrática. O dr. Costa, que é da minha geração, já é um Matusalém da política, do regime e do PS, e não tem, por causa dos antecedentes mais próximos, um pingo de autoridade para reclamar sobressaltos. Lá por estarmos em plena silly season, não queira o dr. Costa fazer os lisboetas mais silly do que eles já são. Sobressalto cívico, nas actuais circunstâncias, é ficar à beira-mar no dia 15 ou votar contra si, dr. Costa. O senhor lembra-nos o susto destes últimos anos. Só serve para nos pôr de sobreaviso.