







Após uma consulta nos Lusíadas, dei uma volta diferente. Parei no Externato da Luz. Ia dizer que me ficaram lá quatro anos, dois de "primária" e outros dois do "ciclo preparatório", mas eles é que ficaram comigo. Tudo evidentemente mudou de 1973 para cá. Novos edifícios, recuperação dos antigos, o recreio com outra configuração e o que era um campo improvisado de bola, de areia, submerso por eles. A ideia era estar um bocado na igreja do seminário, onde íamos semanalmente à missa e onde fiz a primeira comunhão, mas estava fechada. Tudo, naturalmente, estava fechado e em silêncio. Éramos felizes? Fomos felizes? Claro que sim. É a unica certeza que possuímos, a do passado, como escreveu o católico Evelyn Waugh. Só não enterrei qualquer objecto que pudesse hoje ter recuperado enquanto sinal dessa felicidade, como no livro dele. Em compensação, Deus colocou uma rosa no passeio contíguo ao seminário que trouxe para o carro. Nela vi a professora Maria Emília, o padre Manuel que me ensinou a amar o Português, e a respeitá-lo, o sr. Sobreiro da matemática, das ciências e de uma bofetada dada aqui e ali com preceito. E até o padre Filipe, o director, a única pessoa que me deu umas reguadas porque, enquanto chefe de turma, não soube manter os outros em silêncio antes de uma aula. Os meus Pais também são esta rosa, eles que vieram assistir ao evento da primeira comunhão, testemunhado ainda agora lá em casa pela vela guardada algures. Uma rosa que é uma rosa que é uma rosa que é uma rosa. Eternamente.
2 comentários:
Por vezes lamento que na blogosfera não se imite a prática dos "likes".
Mas só às vezes...
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