9.8.22

MCV

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poema


Reconheço este quarto impermeável
reconheço-te estás adormecido
o peito muito aberto as mãos luminosas
o grande talento dos teus dentes miúdos


Há o perigo de um grito lindíssimo
quando andas assim comigo no invisível


Quando a manhã vier sairás comigo
para o espaço que nos falta para o amor
que nos falta


A aurora
está fatigada


a aurora
como um rio nosso
em torno dos elevadores


Tinha eu a idade
de um marselhês
silencioso
e tímido


Tu davas-me a lousa dos magos
o teu riso as letras
mais obscuras do alfabeto


Foi há muito tempo
ou agora
na caverna dos leões expressivos


A caverna que dá para a caverna
a caverna os lagos diligentes


Belo tu és belo
como um grande espaço cirúrgico


Porque tu não tens nome existes


A minha boca
sabe à tua boca


A minha boca
perdeu a memória
não pode falar as palavras
entram no seu túnel
e não é preciso segui-las


Disse que és alto
alto
branco e despovoado


Mário Cesariny, nascido a 9 de Agosto

1 comentário:

Botas De Mulher disse...

Belo poema!