
Houve um incidente militar na Crimeia, junto ao mar. Apesar da ambiguidade do mesmo - Moscovo não explicou com precisão o que ocorreu ou deixou de ocorrer numa sua base -, o que pareceu (e o que parece, é) tratar-se foi de um ataque ucraniano através de equipamento adequado fornecido pelo "ocidente". Para efeitos correntes, a Federação Russa terá sido atacada, por interposto regime de Kiev, com material bélico presumivelmente de origem norte-americana. E mesmo que não tenha sido nada disto, e se se tivesse tratado, por exemplo, de uma explosão ocasional, subsiste todavia um facto. O facto consiste em que Zelensky afirmou hoje que a guerra só terminará quando o regime de Kiev recuperar a Crimeia. Esta incontinência verbal, já costumeira no homem, deverá ser analisada cuidadosamente em Moscovo. Putin não deve ter achado graça quer a isto, quer ao regresso assustado e apressado dos banhistas russos à pátria-mãe. Ao contrário da China, que andou em jogos de consola à volta de Taiwan, a Rússia está no terreno e em guerra, mesmo que o termo usado seja "operação militar especial". Ou muito me engano, ou a "operação" vai aquecer. E muito. Sempre compensa o frio que alguns irão rapar daqui a umas semanas quando "cortarem" no gás e na electricidade "europeias".
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