
Há anos e anos que não frequento lupanares. Simultaneamente, fecharam os cinemas onde se podia ver pornografia. O que quer dizer que vejo pouco ou nada das televisões portuguesas. Li, todavia, que a veneranda figura do chefe de Estado, numa entrevista dada na condição de condutor de automóveis, afirmou o seguinte: "A direita cometeu um erro que nunca percebi: os sucessivos líderes da direita descolavam de mim em vez de colarem a mim, descolaram ostensivamente de mim. Quem é que se colava a mim? O primeiro-ministro e o PS". Ora este "pensamento", esta proposição, leva à seguinte conclusão. Marcelo nada fez para "descolar" o PM e o PS da sua extraordinária pessoa. Pelo contrário, no campeonato da "colagem" de uns e outro, Marcelo levou sempre vantagem desde 2016. Não fez, aliás, outra coisa no primeiro mandato para poder garantir votos socialistas que suprissem a eventual ausência de votos da direita quando se recandidatasse. Hostilizou de todas as maneiras e feitios Passos Coelho até ele se ir embora. A Rio não precisava de fazer nada porque ele próprio e Costa encarregavam-se da famosa "colagem". Agora receia que não lhe liguem - o PM e o PS já não precisam dele para nada - e que o PSD se "autonomize" ainda mais de um presidente que, sendo dos "seus", conseguiu a proeza de ser menos isento em sede de "colagens" que os dois presidentes socialistas em relação ao PS. Nada, antes pelo contrário, indicia que o resto do mandato não passe da vulgaridade e da superficialidade. Marcelo aprecia ser rebocado pelo governo. E o governo não se importa nada de o rebocar. Facultou-lhes a maioria absoluta com aquela tolice diária sobre o orçamento. Não foi a direita que não esteve do lado certo das coisas, para usar a expressão do Paulo Portas para apoiar a sua recandidatura. Foi ele. Ainda bem que não estampou o automóvel com tanta conversa de chacha.
1 comentário:
"Se conduzir não beba", e não nos embebede a conduzir.
Enviar um comentário