
Está a decorrer em Kiev uma coisa chamada "Plataforma para a Crimeia", sob o alto patrocínio do regime da cidade. Em pessoa, esteve lá pelo menos o presidente polaco, chefe de um Estado particularmente interessado na Ucrânia. E com uns antecedentes encantadores em matéria de história da Europa. Mas já li participações de Guterres, de Macron e até de Erdogan, todas no sentido do regresso da Crimeia e de Sebastopol aos braços de território ucraniano. Isto é, a antes de 2014 e 2015. Nessa altura, este mesmo Ocidente que hoje advoga isto, deixou a Federação Russa fazer o que lhe competia e apetecia, ou seja, recuperar território russo. Recupero palavras de Vasco Pulido Valente em Março de 2014. «A Rússia, disse Obama, é uma “potência regional”. Este exemplo de arrogância, e de inconsciência, não muda a realidade. O que a crise da Crimeia claramente deixou ver foi que a América já não é uma potência global. Não admira que a China se aproximasse da Rússia; e que, na África e na Ásia, se fale cada vez com maior insistência na “hipocrisia americana” (para não falar na “hipocrisia europeia”). Como não admira que a sra. Merkel, depois de se aliviar de umas frases pias, se preocupasse sobretudo em defender o interesse económico da Alemanha na Federação Russa. A América e a Europa saíram muito mal da suposta “confrontação” com Putin: sem unidade e sem iniciativa. Pior ainda: tão “apaziguadores” como os velhos de 1930, anunciaram em Bruxelas que reservam a sua verdadeira cólera para o caso de a Rússia persistir numa política de expansão, que Putin, por enquanto, rejeita. Mas que, se a confusão e a irresponsabilidade do Ocidente não acabarem depressa, não rejeitará sempre.» Parece, pois, que com a "Plataforma" de hoje, "a verdadeira cólera" ocidental foi finalmente rebocada pelo sr. Zelensky que não se tem cansado de afirmar, nos últimos dias, que só há paz com a Crimeia de volta. Macron, um interlocutor médio de Putin, até disse lá para Kiev que não pode existir nenhum espírito de compromisso ou exibição de fraqueza diante da Rússia. E Blinken acrescentou que a Crimeia é "tão" Ucrânia como as duas repúblicas independentistas do Donbass, com todos a recusar os referendos que a Rússia tenciona realizar. Traduzido em miúdos, o Ocidente pode ter hoje declarado oficiosamente guerra a Putin uma vez que a Crimeia não é negociável. Ou não. Depende dos telefonemas que se fizerem, à sucapa, quanto terminar a "Plataforma". Por outro lado, Zelensky começa a ter oposição interna ao seu desvario bélico sem a correspondente atenção à sociedade ucraniana como um todo. Que vivamos, outra vez, tempos interessantes.
1 comentário:
Deviam convidar o presidente Wilson, para falar do direito dos povos à autodeterminação.
Aplicado às terças, quintas e sábados, mediante requerimento aprovado pelas entidades competentes.
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