
Faz hoje 122 anos que Eça morreu em Neuilly sur Seine. O “meu” preferido é Fradique Mendes e, claro, “Os Maias”, “A cidade e as serras”, o conto “O suave milagre”, a magnífica “nota contemporânea” sobre Antero, “um génio que era um santo” e “As Farpas", as dele. Volto a Fradique. Depois de várias peripécias na chegada a Lisboa por via férrea, vindo do Porto, já à beira do Hotel Bragança a bordo de uma caleche cujo cocheiro lhe pediu "não menos de três mil réis" pelo transporte, Fradique é reconhecido pelo homem, "à luz do vestíbulo" que lhe batia na face. "Então, são três mil réis?", pergunta Fradique. Responde o homem: - Aquilo era por dizer...Eu não tinha conhecido o sr. D. Fradique...Lá para o sr. D. Fradique é o que quiser. Humilhação incomparável! Senti logo não sei que torpe enternecimento que me amolecia o coração. Era a bonacheirice, a relassa fraqueza que nos enlaça a todos nós Portugueses, nos enche de culpada indulgência uns para os outros, e irremediavelmente estraga entre nós toda a disciplina e toda a ordem. Sim, minha cara madrinha... Aquele bandido conhecia o sr. D. Fradique. Tinha um sorriso brejeiro e serviçal. Ambos éramos portugueses.”
2 comentários:
Alguns dos referidos para reler na praia faziam parte dos objectos da mochila. Desta vez, porque além do smartphone carregava também o tablet, qudei-me por dois do Pessoa, um de prosa outro de versos, para reler no intervalo do passeio às rochas para marcação.
Do anónimo Manel.
Queria dizer " quedei-me" e "para mariscar" em vez de "marcação" que apareceu de outra que não da minha mão.<br />Manel
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