
Durante muitos anos trabalhei na Inspecção Geral de Finanças, um organismo que a lei designa por "inspecção de alto nível". A IGF é, tal como o Tribunal de Contas noutro plano, a grande avaliadora de políticas públicas, do controlo público. Em colaboração com outros organismos congéneres internacionais, nomeadamente a OCDE, aperfeiçoou ao longo do tempo os seus "skills" nessa matéria. E, que eu saiba, não recebe lições de ninguém. Outras inspecções "sectoriais" também avaliam as respectivas políticas públicas na sua execução. Ou seja, o Estado dispõe de técnicos especificamente treinados ao longo de muitos anos para fazer, com precisão, rigor e isenção, o que um avençado de luxo alegadamente vai fazer. Precisamente no ministério que tem a tutela técnica da IGF. O avençado não é uma personagem neutra. Foi jornalista, administrador de uma fundação do regime e director de um órgão de comunicação audiovisual. Nesta qualidade, aliás, "desafiou" o agora ministro a ser comentador nesse órgão. Por muito talentosa que esta variação do Mr. Ripley seja, não pode manifestamente desenvencilhar-se sozinho no que irá fazer. É da natureza da coisa. Há-de querer gente. E não estou a imaginar profissionais do controlo público a sujeitarem-se a ser "orientados" por esta vedeta. A transumância em matéria de interesse público deve ter limites. Sei que é difícil de entender isto quando a pauta vem à partida suja. E a sonoridade habitual é puramente amoral. Nada habilita especialmente este cavalheiro Figueiredo para a função em apreço, a não ser a "amizade" que o liga a quem o chama. Cá para fora, todavia, isto só tem um nome: provocação. Já estávamos habituados em relação ao político em causa. Na verdade, é apenas mais uma. Quem se importa?
12 comentários:
É uma provocação abjecta. Digna de um soba do Cunene. Entre manter ministros incapazes e contratações malsãs... só prova que já veio o diabo!
Que bom saber-te de volta. Não te doam os dedos, que nos blogues temos oxigénio.
Abraço
"Jornalista" e com carteirinha. Seria notícia se lha tivessem tirado.
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Não há duvida que esta contratação aparenta "marosca". Quanto à competência do admitido não me pronuncio, desconheço.
Assim como, pelos mesmos motivos, nada posso dizer da IGF, Tribunal de Contas e afins. No entanto o que se tem assistido nos ultimos tempos, é a deteção por parte da PJ de fortes indicios e casos concretos de politicos que encheram indevidamente os bolsos à conta do Estado e dos cargos que no Estado desempenharam.
No meio da tanta fiscalização, afinal a quem cabia evitar preventivamente o que mais tarde se tem vindo a detetar?
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The Talented Mr Costa, My Way.
O resto, a saúde da paróquia Lusitana, que se lixe.
Habituados a estas "canalhices" havemos de sobreviver, claro que é necessário resistir às "hordas" de familiares, amigos e membros dos bandos que têm assumido os destinos deste território paraíso para corruptos, ladrões e oportunistas dos "quatro cantos" do mundo, enquanto a UE for despejando "ajuda" eles distribuem pelas clientelas afinal um dia poderão precisar de uma "ajudazita" qualquer e como diz o povo, "uma mão lava a outra e as duas lavam a cara"!... Para o comum cidadão restará apenas continuar a pagar por todos os crimes cometidos por estes "abençoados"!...
Bom dia , na verdade chamo a isto Um Nojo de Politico....muito embora de Politico não tenha Nada , mas sim , de Chulo da Politica .
São Gentinha desta Natureza que é Apadrinhada pelo homem do Leme...gente sem Escúrpulos e sem Vergonha , que nada sabem fazer a não serem Politicos... mas de Nível ZERO.
Respondendo a este Comentário...dou os Parabéns ao seu Autor , Subscrevo na Integra todas as Suas Silabas .
Quando João Gonçalves refere um tal Mr Ripley, convinha ter presente o filme The Talented Mr Ripley, visto numa noite de insónia.
Objecto em tempos, de um artigo ilustrativo num jornal económico.
Um escroque, talvez
Escroque Excelentíssimo.
Para já, quem é o cavalheiro João Gonçalves?
Sou eu.
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