25.2.15

Schadenfreude dos nossos cãezinhos de Pavlov


 


«Em política, Pavlov reina como mestre de cãezinhos. É tudo tão previsível, tão fácil de identificar, tão rudimentar, tão… pavloviano. Grite-se Sócrates, Costa, Boaventura, Syriza, Bagão, Louçã, Manuela, eu próprio, os gregos, Varoufakis e logo uma pequena multidão começa a salivar nas redes sociais, nos blogues, nos "porta-vozes" oficiais e oficiosos do PSD e do CDS. Muita desta raiva vem do desespero. Os melhores dias já estão no passado e as perspectivas são sombrias. É verdade que muitos aproveitaram estes anos de ouro para se incrustar em lugares de nomeação ou influência governamental. E vão continuar lá. Claro que há de vez em quando uns pequenos grãos na engrenagem. Jardim, por exemplo, do "je suis Syriza", ou Marcelo que dá uma no cravo e outra na ferradura. Mas para estes pequenos propagandistas não pode haver hesitações. É o combate final e não há "mas", nem meio "mas", é tudo a preto e branco. Ou se é grego ou alemão. Animam-se com o facto de as manifestações pró-gregas terem pouca gente, mas ignoram as sondagens que mostram que muita gente ultrapassou os argumentos mesquinhos de Cavaco e Passos e tem simpatia pelos gregos. À direita e à esquerda, porque toda a gente precisava de um assomo qualquer de dignidade nacional numa União Europeia manietada pela elite política mais autoritária e escassamente democrática que chegou ao poder nestes últimos anos. Enganam-se se pensam que são os esquerdismos do programa do Syriza que mobilizam as simpatias. É por isso que há pouca gente nas manifestações, porque elas são miméticas desse esquerdismo. Mas o que faz as sondagens maioritárias pró-gregos, a "maioria silenciosa", é a afirmação nacional, a independência, a soberania, a honra perdida das nações resgatada por um povo. É uma gigantesca bofetada nos patriotas de boca e empáfia que aceitaram tudo, assinaram tudo, geriram o "protectorado" com zelo e colaboração, e terminam o seu tempo útil servindo para fazer o sale boulot alemão.»


 


José Pacheco Pereira, revista Sábado

7 comentários:

Carlos disse...

Se houvesse honestidade intelectual também se admitia que trocando os nomes de Sócrates, etc, etc, por Passos Coelho, Cavaco (a este até lhe censuram a treta da marquise), trocando os nomes, dizia, o texto continua a ser válido. Mas em Portugal, não há honestidade, nem há intelecto e por isso não pode haver honestidade intelectual. Apenas cãezinhos. De um lado ou do outro.

Jorg disse...


Como diz o outro "Portugal está diferente"....

fado alexandrino disse...

Qualquer partido, desde Portugal à Mongólia, que prometesse o que o Syriza prometeu aos gregos, arrisca-se a ser eleito com maioria.
Qualquer governo que rasgasse tantas promessas como aquelas que o Syriza já está a rasgar arrisca-se a ter um fim igual ao de Maria Antonieta.
Mas Pacheco Pereira que olha muito para o umbigo, nunca conseguirá ver isto.

Marquês Barão disse...

Salivar nas redes sociais é comigo. Pacheco Pereira que venha á filarmónica da minha rua ensinar como se pode intervir sem saírem gafanhotos. Porque será que a par dos políticos só os comentadores resistem ao tempo, e já velhos de barbas continuam a criticar ferozmente um sistema e uma sociedade que ao fim e ao cabo ajudaram diligentemente a construir. Seja qual for a caserna  em que a par e passo saltitando  se  vão aquartelando.

José Chaves disse...

Mas melhores do que há 4 anos, não é?

Maria Alice disse...



fado alexandrino disse...

Obrigado.
A primeira premissa falhou.
A segunda também vai falhar.
Logo a conclusão é falsa.
No entanto como estamos a falar de política é provável que a conclusão (muito subjectiva) seja verdadeira.
No caso dos gregos dentro de seis meses, ou menos, o meu prognóstico acertará em cheio.
Quanto a Pacheco Pereira q.e.d.
Cumprimentos.